Reportagem da Record aponta rede de perfis e pagamentos de publicidade ligados a portal em Pernambuco

Uma reportagem exibida na noite desta terça-feira (25) pelo Jornal da Record apontou a existência de uma rede com centenas de perfis nas redes sociais que, segundo a emissora, seria utilizada para divulgar ataques contra adversários políticos da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), com João Campos (PSB) entre os principais alvos.

O material apresentado pela emissora foi encaminhado à Polícia Federal, que investiga o caso. As suspeitas, até o momento, não representam uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal ou eleitoral dos envolvidos.

Gravações

Entre os conteúdos exibidos pela Record estão gravações de reuniões nas quais aparece Amizaday Andrade da Silva, funcionário da Caixa Econômica Federal cedido à Secretaria de Turismo de Pernambuco.

Em um dos trechos apresentados, Amizaday afirma que houve uma reunião com integrantes do Governo do Estado e relata que a estrutura de canais digitais teria sido vista como uma estratégia para “desidratar” adversários políticos.

Segundo a reportagem, a rede seria formada por mais de 300 perfis. Parte dos conteúdos teria sido difundida a partir do Portal de Prefeitura, veículo ligado à empresa Portal Comunicação e Marketing Ltda., da qual Amizaday foi sócio.

Recursos de publicidade

A reportagem também levantou informações sobre contratos de publicidade. De acordo com a Record, a empresa ligada ao portal recebeu mais de R$ 500 mil em recursos de publicidade do Governo de Pernambuco desde 2023.

Somente entre março e julho de 2026, os pagamentos teriam ultrapassado R$ 186 mil, segundo os dados apresentados pela emissora.

Amizaday Andrade da Silva declarou à reportagem que deixou a sociedade da empresa em setembro de 2024 e afirmou não responder por atos praticados pelo veículo após sua saída.

Governo apresenta justificativa

Em nota, a Secretaria de Comunicação de Pernambuco afirmou que a publicidade institucional do Estado é distribuída por meio de agências contratadas mediante licitação.

Segundo a pasta, a definição dos veículos considera critérios técnicos, como audiência, alcance e custo. O governo também informou que os valores destinados ao veículo em 2026 representam aproximadamente 0,3% do investimento permitido ao Estado em publicidade no período.

O caso foi encaminhado à Polícia Federal e permanece sob investigação. Eventuais responsabilidades deverão ser definidas a partir da apuração das autoridades competentes, garantindo-se aos envolvidos o direito de apresentar esclarecimentos e defesa.

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