Famílias de crianças submetidas a cirurgias de amígdalas e adenoide durante um mutirão realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Afogados da Ingazeira, no Sertão de Pernambuco, estão buscando esclarecimentos sobre os procedimentos realizados.
De acordo com uma nota divulgada por mães e responsáveis, as cirurgias ocorreram no Centro Hospitalar José Evoíde de Moura, com atendimento do médico otorrinolaringologista Dr. Gustavo Lino. O profissional aparece em bases públicas de estabelecimentos de saúde como médico otorrinolaringologista vinculado ao Centro Hospitalar José Evoíde de Moura, em Afogados da Ingazeira.
Segundo os relatos apresentados pelas famílias, algumas crianças tinham indicação para a realização de adenoamigdalectomia, procedimento que envolve a retirada das amígdalas e da adenoide. Os responsáveis afirmam que, após as cirurgias, algumas crianças continuaram apresentando sintomas relacionados à adenoide.
Ainda conforme a nota, algumas famílias buscaram novas avaliações médicas e realizaram exames posteriores. Os responsáveis relatam que, em determinados casos, os exames teriam apontado a permanência de tecido adenoideano, inclusive com relatos de percentual de obstrução considerado maior do que o identificado anteriormente.
As famílias questionam, principalmente, se os dois procedimentos previstos para as crianças foram efetivamente realizados. Elas afirmam que os pacientes passaram por avaliação pré-operatória, consultas com especialista e exames antes da cirurgia e que, em alguns casos, havia indicação para a realização dos procedimentos.
Outro ponto levantado pelos responsáveis é a ausência, segundo eles, de uma justificativa médica formal para eventual não realização de um dos procedimentos durante a cirurgia.
“Gostaríamos de saber qual foi a motivação, a justificativa de não ter realizado os dois procedimentos”, afirmam as famílias na nota, destacando que as crianças passaram por anestesia geral e por todo o processo cirúrgico.
Os responsáveis também afirmam que algumas crianças aguardavam há bastante tempo pela realização dos procedimentos pelo SUS e defendem que os casos sejam esclarecidos individualmente, com acesso às informações e aos registros médicos referentes a cada cirurgia.
Diante dos relatos, as famílias estão buscando reunir outros responsáveis por crianças que participaram do mutirão para identificar possíveis situações semelhantes e solicitar esclarecimentos aos responsáveis pelo serviço e às autoridades competentes.
A orientação apresentada na nota é para que pais e responsáveis que tiveram filhos submetidos às cirurgias procurem atendimento médico e verifiquem, por meio de avaliação e exames, se os procedimentos indicados foram realizados conforme previsto.
As famílias ressaltam que o objetivo da mobilização é obter respostas, transparência e esclarecimentos sobre os casos. Eventuais responsabilidades, no entanto, dependem de apuração técnica e documental pelos órgãos competentes.
Confira a nota
NOTA DE ESCLARECIMENTO E DENÚNCIA
Famílias buscam esclarecimentos sobre cirurgias de adenoide e amígdalas realizadas em mutirão pelo SUS.
Nós, mães e responsáveis por crianças que participaram de um mutirão de cirurgias de amígdalas e adenoide realizado pelo SUS no município de Afogados da Ingazeira, na Clínica Hospitalar José Evoíde Moura com o profissional médico otorrinolaringologista Dr. Gustavo Lino, estamos buscando esclarecimentos diante de uma situação que merece atenção e investigação.
Segundo os relatos já identificados até o momento, diversas crianças foram encaminhadas para realizar procedimento cirúrgico de ADENOAMEGDALECTOMIA. Entretanto, após a realização das cirurgias, algumas famílias perceberam que as crianças permaneceram com os sintomas da adenoide e procuraram atendimento médico, realizaram novos exames, nos quais foi constatada a presença de adenoide, inclusive em alguns casos com percentual de obstrução mais elevado.
Diante disso, não podemos nos calar, precisamos de uma resposta. Sabemos que o Município contratualizou e pagou pelos dois procedimentos para as crianças que tinham a indicação, foi realizada consulta pré operatória já com encaminhamento de especialista e com todos os exames pré operatório realizados, então o cirurgião sabia qual era a indicação de cada criança, gostaríamos de saber qual foi a motivação, a justificativa de não ter realizado os dois procedimentos, uma vez que a criança já estava ali passando por um processo traumático, com anestesia geral, intubação, sabendo que crianças com adenoide de grau elevado tem a qualidade de vida no dia a dia prejudicada, crianças que estavam na fila de espera há muito tempo aguardando pelo procedimento e em nenhum momento houve a informação médica ou justificativa para a não realização de um dos procedimentos, apenas ficou silenciado/omisso.
Estamos buscando reunir informações de forma responsável para que os fatos possam ser esclarecidos pelas autoridades e pelos responsáveis pelo serviço.
Se seu filho ou filha realizou cirurgia nesse mutirão, busque esclarecimento e atendimento para confirmar se realmente a cirurgia foi realizada conforme previsto.
Quanto mais famílias conseguirmos localizar, maior será a possibilidade de esclarecer o que ocorreu e garantir que os direitos das crianças e de seus responsáveis sejam respeitados, o erro precisa ser reparado, não podemos nos calar diante dos fatos, confiamos a vida dos nossos filhos a uma equipe de profissionais, prezando pelo bem maior e pela qualidade de vida de cada criança que ali foi submetida a um processo cirúrgico.
Nosso objetivo é buscar respostas, transparência e justiça para todas as crianças envolvidas, não iremos nos calar diante do ocorrido.
O espaço está aberto para manifestação da Secretaria Municipal de Saúde de Afogados da Ingazeira, do Centro Hospitalar José Evoíde de Moura e do médico citado na nota, para que possam apresentar esclarecimentos sobre os procedimentos realizados e os questionamentos levantados pelas famílias.



