Presidente venezuelano e esposa foram retirados do país após ataques aéreos em larga escala sobre Caracas na madrugada deste sábado
Na madrugada deste sábado (3), os Estados Unidos realizaram uma operação militar sem precedentes na Venezuela, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano Donald Trump através da rede social Truth Social, confirmando que ambos foram detidos e retirados do país por via aérea.
Os ataques
Explosões atingiram a capital venezuelana Caracas por volta das 2h da manhã (horário local), afetando instalações militares e civis em múltiplos estados, incluindo Miranda, Aragua e La Guaira. Testemunhas relataram ter visto helicópteros sobrevoando a cidade e grandes colunas de fumaça subindo no céu noturno.
O complexo militar Fuerte Tiuna, a maior base militar da Venezuela localizada em Caracas, foi um dos principais alvos atingidos. Equipes da CNN que estavam na capital venezuelana testemunharam várias explosões, com algumas áreas da cidade ficando sem energia elétrica. O aeroporto de La Carlota também foi atingido durante os ataques.
“Uma explosão foi tão forte que minha janela tremeu”, relatou Osmary Hernandez, correspondente da CNN em espanhol que testemunhou os acontecimentos.
Operação coordenada
A operação militar foi conduzida em coordenação com autoridades policiais dos Estados Unidos. Segundo informações da CBS News, a unidade de elite Delta Force do Exército americano esteve envolvida na captura de Maduro. O senador republicano Mike Lee, de Utah, afirmou ter conversado com o Secretário de Estado Marco Rubio, que informou que a operação visava proteger o pessoal dos EUA que executava um mandado de prisão.
Acusações e contexto
A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, anunciou que Maduro e sua esposa foram indiciados no Distrito Sul de Nova York por acusações de tráfico de drogas. Washington acusa o presidente venezuelano de liderar o Cartel de los Soles, organização que a administração Trump designou como grupo terrorista estrangeiro.
A estratégia de pressão contra Maduro ocorre após alegações dos EUA e da oposição venezuelana de que ele fraudou eleições no ano passado para permanecer no poder. A administração Trump aumentou progressivamente a recompensa pela captura de Maduro, que chegou a 50 milhões de dólares em agosto de 2025.
Reação venezuelana
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, declarou em entrevista à televisão estatal que o governo não sabe o paradeiro de Maduro e Flores, exigindo que os Estados Unidos forneçam “prova de vida imediata”. Ela afirmou que o ataque matou funcionários, militares e civis em todo o país.
O governo venezuelano declarou estado de emergência nacional e condenou o que chamou de “agressão militar extremamente grave” por parte dos Estados Unidos. Uma página oficial de Maduro no Facebook publicou vídeo afirmando que os ataques ocorreram nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, declarando que os EUA falhariam em seu objetivo de se apoderar do petróleo e minerais da Venezuela.
Repercussão internacional
A operação gerou reações imediatas de líderes mundiais:
Colômbia: O presidente Gustavo Petro condenou os ataques e anunciou o envio de forças militares para a fronteira venezuelana, prometendo apoio adicional em caso de influxo massivo de refugiados.
Brasil: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os bombardeios como ultrapassando “uma linha inaceitável”, afirmando que atacar países em flagrante violação do direito internacional representa um passo rumo a um mundo de violência e caos.
Cuba: O presidente Miguel Díaz-Canel denunciou o que chamou de “ataque criminoso” contra a Venezuela, pedindo resposta urgente da comunidade internacional.
Argentina: Em contraste, o presidente Javier Milei, aliado de Trump, elogiou a operação, postando no X: “A liberdade vive”.
Rússia e Irã: Ambos os países, aliados da Venezuela, condenaram veementemente o ataque americano.
Escalada da tensão
A operação representa a culminação de meses de crescente pressão militar dos EUA sobre a Venezuela. Desde agosto de 2025, Washington vinha aumentando sua presença militar no Caribe, com o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford e diversos navios de guerra para a região.
Nas últimas semanas, os EUA haviam realizado ataques contra mais de 30 embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental, alegando que transportavam drogas, e apreendido petroleiros venezuelanos, impondo um bloqueio naval ao país sul-americano.
Trump havia alertado repetidamente que iniciaria ataques terrestres na Venezuela “em breve”, afirmando que o país era comandado por um “narcoestado”. Em entrevista ao New York Times, Trump descreveu a operação como resultado de “muito bom planejamento”, chamando-a de “uma operação brilhante”.
Questões constitucionais
A operação levantou debates sobre sua legalidade. O senador Mike Lee inicialmente questionou a base constitucional dos ataques, mas posteriormente afirmou que, segundo Rubio, a ação provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente sob o Artigo II da Constituição para proteger pessoal americano de ataque real ou iminente.
A Venezuela solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas em resposta ao ataque, com o ministro das Relações Exteriores Yván Gil Pinto afirmando que “nenhum ataque covarde prevalecerá contra a força deste povo”.
Trump anunciou que faria uma coletiva de imprensa às 11h (horário de Brasília) em Mar-a-Lago para fornecer mais detalhes sobre a operação.



