Dra. Vanessa Nogueira, natural de Afogados da Ingazeira, une Medicina da Família, Cannabis Medicinal, Nutrologia e Neuromodulação para devolver qualidade de vida com menos remédios e mais consciência
Quando se fala em médico de família, muita gente ainda imagina uma figura que resolve apenas gripes e pressão alta. Dra. Vanessa Nogueira está longe desse estereótipo. Natural de Afogados da Ingazeira, no Sertão de Pernambuco, ela construiu uma trajetória que combina a amplitude da Medicina de Família com especializações em Cannabis Medicinal, Nutrologia e, em breve, Neuromodulação — tudo costurado por um fio condutor: tratar o ser humano de forma integral.
“O médico de família atende desde a criança até o idoso, passando pelo adolescente e pela gestante. É diferente do clínico geral, que trabalha principalmente com adultos”, explica a médica. Segundo ela, a especialidade exige um conhecimento teórico-prático amplo, que vai do procedimento de lavagem de ouvido ao pré-natal de baixo risco. “É uma especialidade geral bem complexa por ter que dominar o básico de várias especialidades focais da medicina.””
A enxaqueca que mudou tudo
A virada na carreira de Dra. Vanessa começou de dentro para fora — literalmente. Ainda residente, ela sofria de enxaqueca desde os 10 anos de idade, com crises de três a quatro vezes por semana. Ao conhecer a Cannabis Medicinal como área terapêutica, decidiu testá-la em si mesma.
“Comprei um extrato, comecei com duas gotas pela manhã e quatro à noite. Na primeira semana, tive apenas uma ou duas crises. Ajustei a dose e, na segunda semana, as enxaquecas desapareceram.” Há três anos, a médica não tem mais crises. O que sente ocasionalmente é uma cefaleia comum, ligada a gatilhos pontuais como longos períodos sem comer, excesso de tela ou privação de sono.
A experiência pessoal a motivou a aprofundar o conhecimento na área. Ela realizou um curso de medicina canabinoide pela UNIFESP — que estudava desde a semente até a produção do extrato —, depois realizou o curso da WeCann, tornando-se portadora da Certificação Internacional em Medicina Canabinoide. Atualmente é membro titular da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos de Cannabis Sativa).
Um perfil plural: do pequeno ao mais complexo
O que chama a atenção na atuação de Dra. Vanessa é a recusa em se encaixar num único nicho restrito. Embora tenha como público prioritário mulheres em diferentes fases da vida — menopausa, pós-gestação, fertilidade —, ela atende crianças com epilepsia, TEA e TDAH, adultos com obesidade, transtornos de ansiedade, depressão e humor e idosos com quadros de dor crônica e neurológicos como doença de Alzheimer. “Eu não gosto de trabalhar só com uma área. Gosto de ajudar o paciente a montar o seu próprio quebra-cabeças da sua vida”, admite com naturalidade.
“Já retirei muita medicação controlada de pessoas com ansiedade e insônia”, conta. O foco, sempre, é a redução de polifarmácia em troca alternativas mais seguras e naturais e neurocomportamentais.
Dor crônica: uma lacuna que virou vocação
Identificando a dor crônica como área negligenciada na atenção primária, Dra. Vanessa buscou formação específica: fez curso de Agulhamento a Seco (dry needling), infiltração e bloqueio de pontos-gatilho, além de concluir a pós-graduação em Dor Crônica. “Percebi que era um ponto muito negligenciado e que eu poderia fazer diferença ali.”
NNão por acaso, a Nutrologia veio nessa esteira. Pacientes com dor crônica frequentemente apresentam inflamação sistêmica e excesso de peso — fatores diretamente ligados a condições como artrose de joelho. A pós-graduação em Nutrologia, pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), veio agregar a dimensão alimentar e comportamental ao tratamento: melhora da composição alimentar, suplementos funcionais, manejo do sono e intestino e ajuste de hábitos de vida.
“A alimentação, o intestino e o sono são peças elementares nas nossas vidas. Tudo o que o paciente me conta sobre sua rotina pode ser ajustado para o seu benefício.”
O novo horizonte: Neuromodulação
O capítulo mais recente da trajetória de Dra. Vanessa é a Neuromodulação — área que, segundo ela, vai “à raiz do problema, na parte neural”. Neste ano, ela ingressou na pós-graduação na área e, em abril, participará de uma imersão prática para obter a certificação que a habilitará a trabalhar com os dispositivos.
A técnica inclui a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), aplicada com um capacete especializado, e a neuromodulação periférica. As indicações são amplas: depressão, ansiedade generalizada severa, insônia, dor crônica, reabilitação pós-AVC, Alzheimer, autismo e TDAH.
Além do consultório
A atuação de Dra. Vanessa extrapola as consultas. Ela é Responsável Técnica na área médica do núcleo de saúde em Recife da Stellantis (Grupo de saúde da Jeep), onde atua como Médica de Referência, que funciona segundo o modelo europeu — no qual o médico de família é a porta de entrada do sistema e resolve cerca de 80% das demandas antes de qualquer encaminhamento especializado focal.
Paralelamente, é Supervisora do Ministério da Saúde em cidades da região do agreste nordestino, orientando outros dez médicos. Também leciona como professora voluntária na UPE e realiza palestras sobre Cannabis Medicinal, Nutrologia feminina e Medicina de família para profissionais de saúde.
“Os planos de saúde finalmente estão entendendo que investir na atenção primária significa menos internamentos em UTI e entradas em emergências. Prevenir doenças e promover saúde é mais barato e efetivo à longo prazo”, afirma.
Mulheres, hormônios e o fio que une tudo
Se há um eixo temático que atravessa toda a prática de Dra. Vanessa, ele passa pela saúde da mulher. Após a gestação — período em que ganhou peso acima do esperado e viveu na pele os desafios que muitas pacientes relatam —, ela mergulhou nos estudos sobre emagrecimento feminino, modulação hormonal, climatério e menopausa. “O emagrecimento da mulher é diferente do homem. É preciso entender a fisiologia hormonal para tratar de forma adequada.”
Com esse olhar ampliado, a médica reforça que sua missão vai além da prescrição: é a de educar. Menos medicamentos controlados desnecessários — como benzodiazepínicos de uso contínuo, que prejudicam a memória —, mais consciência sobre alimentação rica em proteínas, fibras e baixa em açúcar, e mais atenção ao eixo intestino-cérebro. É essa a receita, ou melhor, a filosofia clínica de Dra. Vanessa Nogueira.
“A minha missão é trazer mais qualidade de vida com menos remédios e fazer as pessoas entenderem o que podem fazer para melhorar a própria saúde.” — Dra. Vanessa Nogueira



