Na tarde da última terça-feira, 24 de março de 2026, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve no Recife para formalizar um investimento de R$ 630 milhões no setor audiovisual brasileiro. O aporte, realizado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), marca a execução do edital Arranjos Regionais, lançado em 2025.
O evento principal aconteceu no histórico Cinema São Luiz e reuniu lideranças políticas e representantes da cultura. No entanto, mais do que os números expressivos para o setor, um detalhe político acabou chamando atenção nos bastidores: a movimentação do senador Humberto Costa.
Pré-candidato à reeleição pelo PT, Humberto não participou de uma das agendas da ministra ao lado do prefeito do Recife, João Campos, e da pré-candidata ao senado, Marília Arraes — dois nomes centrais no campo político da capital.
Por outro lado, o senador marcou presença em outra agenda da ministra, desta vez ao lado da secretária de Cultura de Pernambuco, Cacau de Paula, e da vice-governadora Priscila Krause, representantes diretas do Governo do Estado, liderado por Raquel Lyra.
A escolha de agendas distintas, em um mesmo dia e com a presença da mesma ministra, não passou despercebida e levanta questionamentos sobre os rumos políticos do senador e do próprio PT em Pernambuco.
Com a proximidade das janelas partidárias e o início das articulações mais intensas para as eleições de 2026, cresce a dúvida: qual palanque Humberto Costa irá, de fato, seguir?
A movimentação recente sugere um cenário ainda indefinido — ou estrategicamente calculado. De um lado, o grupo liderado por João Campos desponta como força consolidada na capital e com influência crescente no estado. Do outro, o governo de Raquel Lyra busca ampliar sua base política e atrair aliados de peso para fortalecer seu projeto.
Nesse contexto, a postura de Humberto Costa pode ser interpretada como um sinal de cautela ou de reposicionamento político. Para analistas, mais do que uma ausência, o gesto pode representar uma mensagem silenciosa em meio ao xadrez eleitoral que começa a se desenhar.
Por enquanto, a pergunta segue sem resposta clara — mas cada movimento, ou ausência, tende a falar mais alto à medida que 2026 se aproxima.



