A missão Artemis II entrou para a história ao decolar na noite da última quarta-feira (1º), marcando o retorno de humanos à trajetória lunar pela primeira vez desde o programa Apollo, encerrado em 1972. A bordo da cápsula Orion, quatro astronautas iniciam uma jornada de dez dias que deve redefinir o futuro da exploração espacial.
O lançamento aconteceu às 19h24 (horário de Brasília), no Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos, utilizando o foguete Space Launch System (SLS), considerado o mais poderoso já operado pela NASA.
Primeiras horas de voo
Logo após a decolagem, o foguete iniciou uma sequência precisa de separações. Com cerca de dois minutos de voo, os propulsores laterais foram descartados a aproximadamente 13 quilômetros de altitude. Um minuto depois, o sistema de escape da cápsula se separou, já a 48 km.
Aos oito minutos, a nave atingiu o espaço e o estágio central do foguete se desprendeu a mais de 150 km de altitude, a uma velocidade superior a 28 mil km/h. Cerca de três horas após o lançamento, o estágio superior também foi liberado, deixando a cápsula Orion em órbita da Terra.
A bordo estão os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além de Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.
Segundo o administrador da NASA, Jared Isaacman, trata-se de uma missão essencialmente experimental. “É o primeiro passo. Nunca houve humanos voando nesse sistema antes”, destacou.
O momento decisivo: rumo à Lua
A fase mais importante da missão acontece nesta quinta-feira (2). A Orion realizará a chamada “injeção translunar”, uma queima do motor principal que colocará a nave definitivamente na rota da Lua.
Essa manobra é considerada um ponto sem retorno: a partir dela, a nave deixa a órbita terrestre e passa a seguir uma trajetória conhecida como “retorno livre”, guiada pela gravidade da Terra e da Lua. Isso garante que, mesmo em caso de falha nos motores, a cápsula consiga voltar ao planeta com segurança.
A astronauta Christina Koch explicou a importância do momento: segundo ela, a queima que leva a nave até a Lua também define o caminho de volta, exigindo que toda a missão seja planejada desde o início como um ciclo completo.
Quando os astronautas verão a Lua de perto?
Após a injeção translunar, a Orion levará alguns dias viajando pelo espaço profundo até alcançar o ponto mais próximo da Lua. Esse sobrevoo deve ocorrer por volta do meio da missão, entre os dias 5 e 6 de abril, quando os astronautas terão a visão mais próxima do satélite natural.
Diferente das missões Apollo, a Artemis II não prevê pouso. O objetivo é testar todos os sistemas da nave em condições reais de voo tripulado no espaço profundo, abrindo caminho para futuras missões que pretendem levar humanos novamente à superfície lunar.
Retorno à Terra
Após contornar a Lua, a cápsula inicia automaticamente sua trajetória de volta. A reentrada na atmosfera terrestre está prevista para o dia 10 de abril, com pouso no Oceano Pacífico.
A missão representa um passo decisivo para o futuro da exploração espacial e para os planos da NASA de estabelecer presença humana sustentável na Lua — e, futuramente, avançar rumo a Marte.




