EUA voltam a atacar o Irã, que reage com represálias e acusa Washington de cometer crime de guerra

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (9), com novos bombardeios americanos em território iraniano, ataques de retaliação contra bases militares dos EUA no Golfo e o aumento da tensão em uma das regiões mais estratégicas para o comércio mundial de petróleo.

Segundo o Ministério da Saúde do Irã, os ataques realizados pelas forças americanas desde a última quarta-feira deixaram 14 mortos e 78 feridos. As ofensivas ocorreram mesmo após a assinatura de um protocolo de acordo entre os dois países, firmado em 17 de junho.

O governo iraniano classificou os bombardeios como um “crime de guerra flagrante” e afirmou que os ataques tiveram como alvo não apenas instalações militares, mas também infraestruturas civis, incluindo duas pontes de acesso à cidade sagrada de Mashhad, onde acontece o funeral do ex-líder supremo Ali Khamenei. A Guarda Revolucionária acusou Washington de tentar ofuscar a cerimônia de despedida.

Irã anuncia represálias e endurece controle sobre Ormuz

Em resposta às ações americanas, o Irã anunciou medidas de retaliação e informou que passará a cobrar pedágios de embarcações que cruzarem o Estreito de Ormuz, corredor marítimo considerado um dos mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito.

O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que a navegação na região ocorrerá apenas sob “disposições iranianas”. Os Estados Unidos, por sua vez, defendem a manutenção da livre navegação sem qualquer tipo de cobrança.

Apesar da tensão, o mercado internacional do petróleo apresentou estabilidade nesta quinta-feira. O barril do Brent era negociado a US$ 77,07, com queda de 1,2%, enquanto o petróleo WTI registrava alta de 1,1%, cotado a US$ 72,69.

Bases americanas no Golfo são alvo de ataques

A Guarda Revolucionária iraniana informou ter atingido bases militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait. Já o Exército iraniano afirmou que também realizou ataques contra alvos militares no Catar, Kuwait e Bahrein, países aliados de Washington.

Segundo a imprensa estatal iraniana, os ataques atingiram um sistema antimísseis Patriot no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e tanques de combustível no Bahrein, utilizando diferentes tipos de drones militares. As autoridades do Kuwait confirmaram que uma pessoa ficou ferida.

Também foram registradas explosões nas cidades portuárias iranianas de Bandar Abbas, Konarak e Shabahar, além da presença de aviões de guerra sobre a ilha de Kish.

Trump diz que ataques podem se intensificar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os bombardeios tiveram como objetivo reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz.

De acordo com o comando militar americano, cerca de 90 alvos militares foram atingidos, incluindo sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e bases de drones.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a ofensiva foi uma resposta aos ataques iranianos contra navios comerciais e advertiu que novas ações poderão ocorrer caso o Irã volte a atacar embarcações na região.

Na quarta-feira, o presidente americano revelou que representantes iranianos entraram em contato para discutir um possível acordo, embora tenha colocado em dúvida a viabilidade das negociações ao afirmar que os iranianos estão “um pouco loucos”.

ONU pede retomada do diálogo

Diante da escalada militar, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, voltou a defender a redução das tensões e a retomada das negociações diplomáticas.

O governo iraniano informou que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, conversou por telefone com o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman Al Thani, destacando a importância de buscar uma solução por vias diplomáticas.

Omã, país que atua como mediador entre Washington e Teerã, condenou os ataques registrados na região do Golfo, mas evitou responsabilizar diretamente o Irã, preservando sua posição de neutralidade nas negociações.

Enquanto isso, a Organização Marítima Internacional informou que aproximadamente 6 mil marinheiros continuam bloqueados na região do Estreito de Ormuz, onde o tráfego marítimo permanece reduzido devido aos riscos provocados pela intensificação do conflito.

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