Keiko Fujimori tomou posse nesta terça-feira como presidente do Peru, marcando o retorno do fujimorismo ao comando do país 26 anos após a renúncia de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que deixou o cargo por fax em meio a um escândalo de corrupção.
A nova presidente venceu a eleição presidencial por uma diferença inferior a 50 mil votos sobre o candidato de esquerda Roberto Sánchez, resultado que evidenciou a forte polarização política no país. Enquanto uma parcela da população enxerga no fujimorismo a possibilidade de retomada da estabilidade econômica, outra manifesta preocupação com a volta de um grupo político associado a denúncias de violações de direitos humanos durante o governo de Alberto Fujimori.
Em seu discurso de posse no Congresso peruano, Keiko Fujimori anunciou que as Forças Armadas atuarão em conjunto com a polícia no enfrentamento ao crime organizado, com foco especial no combate à extorsão em regiões sob estado de emergência.
A presidente também afirmou que seu governo colocará em prática um plano de contingência para minimizar os impactos do fenômeno climático El Niño, que historicamente provoca fortes chuvas, enchentes e prejuízos em diversas regiões do Peru.
Do lado de fora do Congresso, a cerimônia foi marcada por manifestações de familiares de vítimas da repressão ocorrida durante o governo de Alberto Fujimori. Entre os protestos, estavam representantes das famílias dos casos La Cantuta e Barrios Altos, considerados símbolos das violações de direitos humanos atribuídas ao regime. Os manifestantes carregavam faixas e entoavam o lema: “Keiko não me representa”.
A posse de Keiko Fujimori inaugura um novo capítulo na política peruana, mas também reacende o debate sobre o legado do fujimorismo. O novo governo inicia seu mandato diante do desafio de enfrentar a criminalidade, responder aos impactos de eventos climáticos e buscar reduzir a profunda divisão política e social que marcou o processo eleitoral.



