O presidente da Câmara Municipal de Afogados da Ingazeira, Vicentinho Zuza (PSB), afirmou, durante entrevista concedida à Rádio Pajeú nesta segunda-feira (24), que manterá seu apoio à candidatura de Mendonça Filho ao Senado. Segundo o vereador, outros seis parlamentares que integram a base governista também decidiram apoiar o ex-ministro.
Durante a entrevista, Vicentinho explicou que sua decisão ocorre diante do cenário eleitoral para o Senado e afirmou que não pretende votar no senador Humberto Costa (PT). O vereador também citou a relação de amizade que mantém com Marília Arraes, mas disse não confiar no trabalho de Maria Arraes, irmã da ex-deputada, que disputa uma vaga ao Senado.
“Eu sou eleitor de Marília, que era amiga minha particular. Marília, quando vem a Afogados, vai para minha casa. Ela já dormiu na minha casa. Então, a gente tem uma amizade de longas datas. Não estou votando na irmã dela porque eu não acredito e não confio no trabalho dela”, afirmou.
Vicentinho também justificou a escolha por Mendonça Filho destacando investimentos e ações que, segundo ele, foram destinados a Afogados da Ingazeira durante períodos em que Mendonça ocupou cargos no governo federal.
Entre os exemplos citados estão recursos para unidades escolares da zona rural, a escola do bairro Mota e investimentos relacionados ao Cine São José. O vereador afirmou que Mendonça, quando ministro da Educação, teria contribuído com recursos para obras no município.
Durante a entrevista, o radialista Douglas, citado por Vicentinho, também mencionou uma emenda de R$ 2 milhões destinada durante a segunda gestão do ex-prefeito Totonho Valadares, além de recursos para complementar investimentos na Escola Giselda Simões.
“Eu tenho o que mostrar de Mendonça. Agora, na questão de Humberto, fica complicado para a gente mostrar e ter acesso, que o acesso é zero”, declarou Vicentinho.
O presidente da Câmara também rebateu críticas recebidas nas redes sociais e na imprensa em razão do apoio a Mendonça Filho, especialmente pelo fato de o candidato ser identificado com o campo político de Jair Bolsonaro.
Segundo Vicentinho, a existência de divergências políticas não deveria impedir vereadores de escolherem candidatos que considerem capazes de contribuir com o município.
“Porque Mendonça está votando em Bolsonaro, ele é bolsonarista, eu não poderia votar nele? Ou ia votar em branco? Eu tenho que votar. Eu vou na chapa completa”, disse.
Críticas ao “fogo amigo”
Durante a entrevista, Vicentinho direcionou críticas a pessoas que, segundo ele, integram ou possuem vínculos com o grupo político governista e que estariam atacando os sete vereadores da base de Sandrinho Palmeira por causa da posição adotada na eleição para o Senado.
O vereador classificou a situação como “fogo amigo” e afirmou que os ataques partem, em parte, de pessoas ligadas à estrutura da Prefeitura.
“As pessoas que vêm nos atacando nas redes sociais, que vêm nos atacando na imprensa, a grande maioria, não todos, mas a grande maioria, são contratados da prefeitura”, afirmou.
Vicentinho disse ainda que os vereadores estão trabalhando pela população e cobrou maior respeito às decisões políticas tomadas pelo grupo.
“Esses sete vereadores hoje a gente trabalha para a população que nos acompanha e para a gente que decide uma eleição”, declarou.
Em tom de cobrança, o presidente da Câmara afirmou que os integrantes do grupo político deveriam evitar ataques internos que, na avaliação dele, podem enfraquecer a própria base governista.
“Se vocês continuarem atacando as pessoas do seu próprio grupo, vocês vão desmanchar o grupo”, afirmou.
Vereador cita articulações para 2028
Vicentinho também afirmou que já trabalha politicamente pensando nas eleições municipais de 2028. Segundo ele, a escolha de apoio ao Senado faz parte de uma articulação política mais ampla.
“Eleição passa daqui a um mês e pouco. Eu estou me projetando, estou fazendo uma articulação de alianças para 2028. É aberto”, afirmou.
O vereador também citou divergências existentes dentro da Frente Popular de Afogados da Ingazeira. Segundo ele, lideranças do grupo estariam apoiando diferentes candidatos ao longo da eleição de 2026.
Vicentinho mencionou o prefeito Sandrinho Palmeira, que, segundo ele, está com Pedro Campos para deputado federal, enquanto o vice-prefeito Daniel Valadares estaria apoiando Carlos Veras.
“Qual é o exemplo, qual é a força que se tem para fazer uma união se já começa a desmanter ele dentro de casa?”, questionou.
Comparações com outros municípios
Durante a entrevista, Vicentinho também citou situações políticas em municípios da região para defender que alianças eleitorais não seguem necessariamente uma lógica de alinhamento nacional.
Ele mencionou, entre outros exemplos, o deputado estadual Doriel Barros, o prefeito de Tabira e alianças envolvendo candidatos de diferentes campos políticos.
Na avaliação do vereador, não seria coerente criticar os vereadores de Afogados apenas por escolherem um candidato ao Senado que não esteja alinhado ao mesmo grupo político defendido por outros integrantes da Frente Popular.
Recado ao grupo governista
Vicentinho encerrou o trecho da entrevista com novas críticas aos que, segundo ele, vêm questionando sua postura política. O vereador afirmou que não pretende recuar das posições que considera corretas e disse que os eleitores precisam avaliar a atuação dos políticos pelos resultados apresentados.
Ele também afirmou que não se considera alguém que “se vendeu”, expressão que teria sido utilizada por críticos para questionar o apoio a Mendonça Filho.
“Vocês não me conhecem. Quem me conhece é quem bate na minha porta”, declarou.
O presidente da Câmara ainda afirmou que vereadores são procurados pela população em momentos de dificuldade, inclusive para buscar atendimento e recursos, e que essas articulações políticas não deveriam ser desconsideradas.
As declarações de Vicentinho Zuza ocorrem em meio às articulações para as eleições de 2026 e evidenciam divergências internas dentro da base governista de Afogados da Ingazeira, especialmente em relação às candidaturas ao Senado.



