O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (2), ao reiterar acusações sem apresentar provas e chamá-lo de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”. As declarações ocorreram durante entrevista à emissora argentina LN+, uma semana após falas semelhantes provocarem uma crise diplomática entre os dois países.
Ao comentar a repercussão de suas declarações anteriores, Milei voltou a defender o conteúdo de suas críticas. “Ele é um ladrão, é um corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente”, afirmou o presidente argentino.
Questionado sobre ter chamado Lula de “ladrão” durante o evento de oficialização da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, Milei respondeu: “A pergunta é: eu menti?”.
As declarações ocorreram dias depois de o governo brasileiro convocar o embaixador do Brasil na Argentina para consultas, em reação às ofensas dirigidas ao presidente Lula. O Itamaraty também convocou o embaixador argentino em Brasília para manifestar repúdio às declarações de Milei contra Lula e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, além de solicitar explicações oficiais.
Apesar da tensão diplomática, o governo argentino tentou reduzir o desgaste ao longo da última semana. O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, afirmou que não há qualquer intenção de romper as relações com o Brasil, principal parceiro comercial do país.
Mesmo assim, Milei voltou a reforçar suas críticas, repetindo por diversas vezes as acusações contra Lula e alegando, novamente sem apresentar evidências, que o presidente brasileiro promove “interferência política” na Argentina e em outros países da região.
Enquanto isso, Lula oficializou neste domingo sua candidatura à reeleição e afirmou estar em boas condições de saúde para disputar um quarto mandato presidencial. Já Milei, embora ainda não tenha lançado oficialmente sua candidatura à reeleição, intensificou o discurso de confronto político visando as eleições presidenciais argentinas de 2027.
Durante a entrevista, o presidente argentino também destacou os resultados econômicos de sua gestão, afirmando que as medidas de austeridade reduziram a inflação anual de 161% para 33,5%. Em contrapartida, reconhece-se que os cortes nos gastos públicos tiveram impactos sobre o emprego, a atividade industrial e o consumo.
Além das críticas a Lula, Milei voltou a direcionar ataques ao socialismo e a líderes estrangeiros. O presidente argentino afirmou que sofre críticas frequentes de chefes de Estado como o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, mas que suas respostas acabam gerando maior repercussão.
Ao comentar a crise migratória enfrentada pela Espanha, Milei também acusou, sem apresentar provas, Pedro Sánchez de facilitar a nacionalização de imigrantes para obter vantagens eleitorais. Ele ainda defendeu que imigrantes paguem por determinados serviços públicos nos países que os recebem.
As novas declarações de Milei tendem a manter o clima de tensão entre Brasília e Buenos Aires, em um momento de forte desgaste nas relações diplomáticas entre os governos dos dois países.



