Neste sábado, 13 de dezembro, o Brasil comemora o Dia Nacional do Forró, data que coincide com o aniversário de nascimento de um dos maiores ícones da música brasileira: Luiz Gonzaga do Nascimento, carinhosamente conhecido como o Rei do Baião.
Uma data com história
A data foi instituída pela Lei nº 11.176, sancionada em 6 de setembro de 2005, por iniciativa da então deputada federal Luiza Erundina. A escolha do dia 13 de dezembro presta uma dupla homenagem: celebra o nascimento de Luiz Gonzaga e reconhece sua contribuição fundamental para a difusão da cultura nordestina por todo o país.
Mais recentemente, o forró ganhou ainda mais reconhecimento oficial. Em 2021, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) declarou o Forró como patrimônio cultural do Brasil. Em 2023, o presidente Lula sancionou a Lei nº 14.720, que reconheceu oficialmente o forró como manifestação da cultura nacional.
Luiz Gonzaga: do sertão para o Brasil
Nascido em 13 de dezembro de 1912 na Fazenda Caiçara, em Exu, no sertão de Pernambuco, Luiz Gonzaga era filho de Januário José dos Santos, também sanfoneiro, e de Ana Batista de Jesus. Desde criança, o pequeno Luiz demonstrava fascínio pela sanfona do pai e, aos oito anos de idade, já substituía músicos profissionais em festas da região.
Sua trajetória musical começou de forma inusitada. Aos 17 anos, após conflitos familiares, fugiu de casa e ingressou no Exército Brasileiro em Fortaleza. Durante nove anos nas Forças Armadas, viajou por diversos estados e aprimorou suas habilidades musicais, aprendendo ritmos diversos com outros músicos militares, especialmente com o sanfoneiro Domingos Ambrósio, em Minas Gerais.
Em 1939, deixou o Exército e mudou-se para o Rio de Janeiro. Inicialmente, apresentava-se em bares e cabarés da Lapa tocando músicas estrangeiras como tangos, valsas e fados. Um encontro com estudantes cearenses, porém, mudaria sua carreira: eles sugeriram que valorizasse a música de sua terra natal. Luiz seguiu o conselho e passou a dedicar-se aos ritmos nordestinos.
O fenômeno do Baião
A guinada definitiva na carreira de Gonzaga veio com a parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira. Juntos, compuseram sucessos que se tornaram patrimônio da música brasileira. Em 1947, gravaram a icônica toada “Asa Branca”, que se transformou em um verdadeiro hino do Nordeste e permanece como uma das músicas mais marcantes da história do Brasil.
Luiz Gonzaga foi responsável pela popularização de diversos ritmos nordestinos que compõem o universo do forró: xote, xaxado, baião, rojão, côco, maracatu, chamego, quadrilha, arrasta-pé e o tradicional forró pé-de-serra. Sua formação musical característica – sanfona, zabumba e triângulo – tornou-se sinônimo da sonoridade nordestina.
Além da música, Gonzaga destacava-se por sua indumentária típica, usando chapéu de couro, gibão de vaqueiro e sandálias de couro, transformando-se numa representação visual da cultura sertaneja. Nos anos 1950, já estava entre os artistas mais populares do Brasil.
Legado familiar e influência duradoura
O legado musical de Luiz Gonzaga atravessa gerações. Seu pai, Januário, foi sua primeira inspiração e chegou a participar de apresentações nos anos 1970. Luiz também deixou sua herança artística para o filho, Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, conhecido como Gonzaguinha, que se tornou um importante nome da MPB. A linhagem musical continua com Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha e neto do Rei do Baião, que segue carreira como músico independente e instrumentista.
A influência de Luiz Gonzaga é inestimável para a música brasileira. Ele gravou mais de 70 discos ao longo de sua carreira, que se estendeu por mais de 50 anos. Em 1980, viveu um dos momentos mais emocionantes de sua vida ao cantar para o Papa João Paulo II em Fortaleza, recebendo do pontífice o elogio: “Obrigado, Cantador!”.
Gonzagão faleceu em 2 de agosto de 1989, aos 76 anos, em Recife. Em seu legado, deixou um acervo de mais de 50 discos compactos e 44 discos de vinil, além da consolidação definitiva da música nordestina em todo o território nacional. Seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, reconhecimento máximo a brasileiros que se destacaram em suas áreas.
Hoje, 112 anos após seu nascimento, o Dia Nacional do Forró celebra não apenas um ritmo musical, mas uma manifestação cultural que une pessoas, conta histórias e representa a diversidade e a riqueza da cultura brasileira. Luiz Gonzaga permanece vivo na memória e no coração do povo brasileiro, eternizado como o maior embaixador da cultura nordestina.



