Partidos do centro político avaliam que nome do senador carrega rejeição do pai e pode comprometer composições futuras
Os partidos do Centrão demonstram crescente resistência à candidatura de Flávio Bolsonaro ao Senado e sinalizam que podem isolar politicamente o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A avaliação que circula entre as principais legendas é de que Flávio carrega a rejeição paterna e representa um risco para futuras articulações políticas.
A fragilidade da candidatura preocupa lideranças que tradicionalmente compõem a base de sustentação no Congresso. Diferentemente do que ocorria durante o governo Bolsonaro, quando o Centrão garantia maioria para pautas do Executivo, agora essas mesmas forças políticas demonstram pouco apetite para embarcar em projetos eleitorais associados ao bolsonarismo.
Pressão pela anistia pode ter efeito reverso
Outro ponto de tensão é a campanha pela anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Parlamentares do Centrão avaliam que a pressão pública e as mobilizações em favor do perdão aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes podem produzir justamente o efeito contrário no Congresso Nacional.
A leitura dessas lideranças é de que insistir no tema da anistia neste momento pode desgastar ainda mais a imagem do bolsonarismo junto à opinião pública e dificultar qualquer tipo de negociação futura. O receio é que a pauta acabe contaminando outros temas de interesse dos partidos e comprometa a governabilidade.
Cálculo eleitoral em jogo
Para o Centrão, o cálculo é pragmático: apostar em Flávio Bolsonaro significaria assumir os riscos de uma candidatura com alta rejeição em troca de benefícios políticos incertos. A preferência declarada é por nomes que tenham maior capacidade de transitar entre diferentes espectros políticos e que não carreguem o peso simbólico da gestão Bolsonaro.
A eventual marginalização política de Flávio representa uma mudança significativa no cenário, já que durante o governo do pai ele era considerado um dos principais articuladores políticos da família e mantinha diálogo constante com essas mesmas legendas que agora demonstram distanciamento.
Contexto político
O movimento de afastamento do Centrão ocorre em um momento delicado para o bolsonarismo, que busca se reorganizar após a derrota nas eleições de 2022 e enfrenta investigações sobre tentativa de golpe de Estado. A família Bolsonaro tenta manter relevância política, mas encontra resistência mesmo entre aliados históricos.
Os partidos do centro avaliam que o eleitorado brasileiro está mais interessado em pautas econômicas e sociais do que em bandeiras ideológicas, o que torna arriscado apostar em candidatos fortemente identificados com posições polarizadoras.



