STF prorrogou votação do segundo turno até as 19h após pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro

Decisão foi tomada após relatos de dificuldades de deslocamento de eleitores; campanhas acionaram a Justiça Eleitoral com justificativas distintas.

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prorrogação do horário de votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 até as 19h deste domingo (25). A decisão do ministro Cristiano Zanin ocorreu após as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) acionarem a Justiça para solicitar a ampliação do prazo, alegando dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação.

Os pedidos foram apresentados em meio a relatos de problemas no transporte público, fortes chuvas, alagamentos e falta de energia em diferentes regiões do país. As duas campanhas defenderam a necessidade de garantir condições para que os eleitores pudessem exercer o direito ao voto.

Campanha de Lula pediu prorrogação nacional

A campanha de Lula protocolou, às 16h22, um pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para estender a votação em todo o Brasil até as 19h.

Inicialmente, a solicitação contemplava municípios baianos, como Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. Posteriormente, o pedido foi ampliado diante de relatos semelhantes em outras cidades e estados.

Na argumentação apresentada à Justiça Eleitoral, o PT citou dificuldades relacionadas à redução da frota de ônibus, à lotação do transporte público e às longas esperas enfrentadas por eleitores. Entre as localidades mencionadas estavam Salvador, Teresina e São Paulo, além de registros de problemas em João Pessoa, Maceió e municípios de Alagoas, Pernambuco, Pará e Rio de Janeiro.

A campanha também solicitou que estados e municípios mantivessem o transporte público gratuito, com frota equivalente à dos dias úteis, por pelo menos duas horas após o encerramento prorrogado da votação.

Caso a extensão do horário não fosse autorizada, o PT pediu, alternativamente, a distribuição de senhas às 17h para os eleitores que já estivessem nos locais de votação, inclusive nas áreas externas.

Além do pedido encaminhado ao TSE, a campanha recorreu ao STF. A reclamação foi distribuída ao ministro Cristiano Zanin, em uma iniciativa paralela à solicitação apresentada à Justiça Eleitoral.

Flávio Bolsonaro citou problemas climáticos

A campanha de Flávio Bolsonaro também solicitou a ampliação do horário de votação até as 19h, mas direcionou o pedido a municípios de cinco estados: Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Protocolada às 17h02, a solicitação apontou fortes chuvas, alagamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica como fatores que poderiam dificultar o deslocamento dos eleitores até as seções eleitorais.

A defesa do candidato argumentou que a medida buscava assegurar o direito ao voto daqueles prejudicados pelas condições climáticas e afirmou que a solicitação não tinha como objetivo favorecer qualquer candidatura.

TSE pediu mais informações antes de decidir

Antes da decisão do Supremo, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que precisava de informações adicionais para avaliar a possibilidade de prorrogação do horário.

Entre os pontos que deveriam ser esclarecidos estavam a dimensão dos problemas relatados, a circulação dos ônibus e a viabilidade operacional de uma extensão nacional da votação.

O ministro também mencionou um precedente de 2022, quando a Justiça Eleitoral rejeitou uma solicitação semelhante.

Enquanto os pedidos eram analisados, tribunais eleitorais estaduais adotaram medidas para tentar normalizar o transporte público. Na Bahia, o presidente do TRE-BA determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, por suposto descumprimento de decisão judicial. Em Sergipe, também houve determinação para recomposição da frota de ônibus após denúncias de dificuldades no transporte.

Decisão ampliou o prazo em todo o país

Após o encerramento do horário regular, às 17h, o ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação da votação nacional até as 19h, considerando as dificuldades de deslocamento relatadas em diferentes cidades.

A decisão atendeu ao pedido apresentado pela campanha petista, que havia recorrido tanto ao TSE quanto ao Supremo.

O episódio colocou em evidência os desafios logísticos de uma eleição presidencial marcada pela disputa acirrada e levantou discussões sobre o funcionamento do transporte público, a atuação das autoridades e a necessidade de garantir condições adequadas para o exercício do voto.

A prorrogação buscou permitir que eleitores afetados pelos problemas relatados tivessem mais tempo para chegar às seções eleitorais.

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