Há exatos 40 anos, Pernambuco vivia um dos momentos mais marcantes de sua história política. Em 15 de março de 1987, Miguel Arraes tomou posse, pela segunda vez, como governador do Estado no Palácio do Campo das Princesas, encerrando um ciclo iniciado com sua deposição durante o golpe militar de 1964 e simbolizando a consolidação do processo de redemocratização do Brasil.
A volta de Arraes ao comando de Pernambuco ocorreu 23 anos após sua saída forçada do governo. Em 1º de abril de 1964, poucos dias após o golpe militar, o então governador recusou-se a renunciar ao cargo. Cercado por tropas do Exército no Palácio do Campo das Princesas, foi preso e afastado da função, tornando-se um dos principais símbolos da resistência ao novo regime.
Após a prisão, Miguel Arraes passou por diferentes unidades militares no Recife, foi transferido para Fernando de Noronha e, posteriormente, levado ao Rio de Janeiro. Em 1965, depois de cerca de 14 meses preso, recebeu autorização para deixar o país e seguiu para o exílio na Argélia, onde permaneceu por aproximadamente 14 anos.
O retorno ao Brasil aconteceu em setembro de 1979, logo após a promulgação da Lei da Anistia. A chegada de Arraes ao Recife foi marcada por uma grande recepção popular, considerada um dos episódios mais emblemáticos da abertura política no Estado e um importante símbolo da retomada das liberdades democráticas.
Antes de voltar ao Governo de Pernambuco, Arraes foi eleito deputado federal em 1982, sendo o mais votado do Nordeste. Quatro anos depois, venceu as eleições para o governo estadual e retornou ao Palácio do Campo das Princesas pelo voto popular, em uma eleição vista como a reparação histórica de um mandato interrompido pela ditadura.
Miguel Arraes ainda governaria Pernambuco pela terceira vez entre 1995 e 1998. Falecido em 2005, permanece como uma das figuras mais influentes da política pernambucana e brasileira, sendo lembrado por sua atuação em defesa das causas populares, da reforma agrária e pela resistência ao regime militar. Em 2018, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Há 40 anos, Miguel Arraes reassumia o Governo de Pernambuco após prisão, exílio e retorno com a redemocratização

- às
-
Por
Pedro Acioly


