Resultado fortalece o Likud, mas impasse no Parlamento obriga partidos a negociar para formar novo governo
As eleições parlamentares realizadas em Israel na terça-feira (27) terminaram sem que nenhum dos principais blocos políticos alcançasse a maioria necessária para governar. O resultado mantém o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na disputa pelo poder, mas abre uma nova etapa de negociações para definir a composição do próximo governo.
Com a apuração avançada, o bloco de direita liderado pelo Likud, partido de Netanyahu, aparecia com projeção de 53 das 120 cadeiras do Parlamento israelense, conhecido como Knesset. Já o campo oposicionista ligado ao ex-chefe militar Gadi Eisenkot somava aproximadamente 48 assentos. Os partidos árabes, por sua vez, poderiam conquistar cerca de 19 cadeiras e exercer influência decisiva nas negociações. Os números são projeções divulgadas durante a apuração e podem sofrer alterações com a consolidação dos resultados.
Netanyahu tenta permanecer no poder
O pleito foi considerado um teste importante para a liderança de Netanyahu, um dos políticos mais longevos da história de Israel. O primeiro-ministro enfrentou críticas relacionadas às falhas de segurança que antecederam os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, à condução da guerra e às controvérsias envolvendo seu governo.
Netanyahu também enfrenta um julgamento por acusações de corrupção, que ele nega. Durante a campanha, procurou reforçar sua imagem de liderança experiente em segurança nacional e defesa dos interesses israelenses.
Do outro lado, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, surgiu como um dos principais nomes da oposição, defendendo uma alternativa política ao atual governo.
Sistema parlamentar exige formação de coalizão
Em Israel, os eleitores votam em listas partidárias, e não diretamente em um candidato à chefia do governo. O Parlamento tem 120 cadeiras, e são necessários pelo menos 61 deputados para garantir uma maioria parlamentar.
Como nenhum dos blocos alcançou esse número, a formação do próximo governo dependerá de acordos entre partidos com diferentes posições políticas e ideológicas.
O presidente israelense, Isaac Herzog, deverá consultar representantes das legendas e indicar o nome que considerar mais apto a formar uma coalizão. O processo pode resultar em um governo de unidade, em alianças alternativas ou, caso as negociações fracassem, em novas eleições.
Segurança, economia e serviço militar no centro do debate
A campanha eleitoral foi marcada por temas como a segurança nacional, os desdobramentos dos conflitos regionais, o custo de vida e a responsabilização pelas falhas de segurança de 2023.
Outro ponto de divergência foi a isenção de parte da população judaica ultraortodoxa do serviço militar obrigatório. A questão divide a sociedade israelense, especialmente diante das exigências impostas às Forças Armadas durante os conflitos.
As decisões tomadas pelo próximo governo também poderão influenciar as relações de Israel com os países vizinhos e as perspectivas de estabilidade no Oriente Médio.
O que acontece agora?
O resultado não representa, por si só, a saída de Netanyahu do poder. Enquanto as negociações avançam, ele permanece como primeiro-ministro interino. Sua permanência definitiva dependerá da capacidade de reunir apoio suficiente no Parlamento.
A eleição, portanto, não encerra a disputa política em Israel. Ao contrário, inaugura uma fase decisiva de articulações, na qual partidos menores e representantes árabes poderão ter papel importante na definição dos rumos do país.



