Uma crise interna no PT da Paraíba envolve a distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o FEFC.
Uma moção da Secretaria de Combate ao Racismo e do Coletivo Paulo Freire questiona os critérios adotados pelo partido e aponta que os recursos teriam priorizado candidaturas de homens brancos.
Dos três milhões e 850 mil reais distribuídos às 21 candidaturas para a Câmara Federal e Assembleia Legislativa, cinco homens brancos receberam dois milhões e 740 mil reais, ou 71,3% do total.
As nove candidaturas femininas ficaram com cerca de 769 mil reais, menos de 20% dos recursos.
Entre os maiores repasses estão o do deputado Luiz Couto, com um milhão e 800 mil reais, e o do ex-governador Ricardo Coutinho, com 748 mil.
Em nota, o Grupo de Trabalho Eleitoral do PT rebateu as críticas e afirmou que o dinheiro segue critérios nacionais, tendo como principal parâmetro a viabilidade eleitoral.
Segundo o GTE, Couto e Ricardo foram priorizados por serem considerados competitivos, e não por serem homens brancos.
O partido também afirmou que, excluindo os dois, candidaturas negras receberam juntas mais de um milhão de reais, enquanto os demais homens brancos ficaram com 198 mil.
A polêmica expõe uma disputa interna sobre os critérios de gênero, raça e competitividade na distribuição do fundo eleitoral.
CONFIRA A NOTA NA ÍNTEGRA:
Nota da Coordenação do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) – PT da Paraíba
1. O Partido dos Trabalhadores é uma organização nacional. Logo, todas as decisões são tomadas com base no conjunto do partido, nacionalmente. As decisões relativas às eleições de 2026 são aplicadas a todos os estados. Dessa forma, a distribuição dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) segue regras adotadas em todo o Brasil. A direção local na Paraíba não determina essa distribuição.
2. O principal critério para a distribuição do FEFC é a viabilidade eleitoral. Sendo assim, candidatos à reeleição, personalidades políticas relevantes ou políticos que tenham exercido mandatos e tenham chances reais de vitória recebem a maior parte dos recursos destinados, independentemente de qualquer critério racial ou de gênero.
3. Na moção apresentada, existe uma manipulação de dados que esconde os critérios prioritários nacionais, definidos por todos os membros da direção nacional, inclusive pela Secretaria Nacional de Combate ao Racismo.
4. No caso da Paraíba, duas candidaturas consideradas prioritárias e com chances reais de vitória — as do deputado federal Luiz Couto e do ex-governador Ricardo Coutinho — receberam, juntas, R$ 2.548.000,00, que, coincidentemente, são homens e brancos. Os valores não foram definidos por qualquer critério racial ou de gênero, mas, sim, com base na viabilidade eleitoral.
5. Restou a todos os demais candidatos homens brancos a quantia de R$ 198.000,00, ou seja, bem menos que os R$ 1.001.392,00 destinados aos candidatos negros, homens e mulheres, pelo Partido dos Trabalhadores na Paraíba.
6. Como forma de comparação, em diversos estados brasileiros, a exemplo da Bahia, de Alagoas, do Rio de Janeiro e de outros, as candidaturas de homens e mulheres negras receberam mais recursos que as demais. Isso ocorre, exatamente, por haver candidatos e candidatas negras com maior chance de vitória, como é o caso da candidatura ao Senado de Benedita da Silva, no Rio de Janeiro.
7. Dessa forma, a referida moção se pauta em dados manipulados, numa tentativa de distorcer a prática do Partido dos Trabalhadores, que sempre foi pautada pelo respeito e pela busca de mecanismos que reparem as injustiças raciais praticadas no Brasil.



