Paratleta denuncia agressão de motorista no Recife após conquistar medalha de ouro

Um episódio de violência e desrespeito marcou o retorno de um paratleta recifense para casa na tarde deste domingo (26). O jovem Nivalmir Cardoso de Farias Junior, de 25 anos, conhecido como “Cardoso”, afirma ter sido agredido por um motorista de ônibus após participar de um torneio de tiro com arco, no qual conquistou medalha de ouro.

Segundo relato à Folha de Pernambuco, Cardoso — que é paraplégico e pratica o esporte há cerca de um ano — saía do Parque Santos Dumont, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, após um dia intenso de competição. O objetivo era simples: voltar para casa e descansar. No entanto, o que deveria ser um momento de celebração acabou se transformando em frustração.

“Ganhei uma medalha de ouro e não pude nem comemorar. Era para ser um dia feliz, e acabou sendo um dia triste”, lamentou.

De acordo com o paratleta, o desentendimento começou quando o motorista reclamou da necessidade de operar o elevador de acessibilidade do ônibus. Cardoso relata que foi alvo de ofensas capacitistas, sendo chamado de “aleijado” e “folgado”. A discussão teria escalado até o momento em que o motorista desceu do veículo e o agrediu com dois tapas no peito, quase provocando a queda da cadeira de rodas.

A situação foi parcialmente registrada por um amigo da vítima, também cadeirante. Nas imagens, é possível ver o momento de tensão antes da agressão. A gravação, no entanto, é interrompida quando o motorista avança em direção ao paratleta. Segundo Cardoso, o amigo parou de filmar por medo de também ser agredido.

O atleta afirma ainda que já enfrentou outros episódios de descaso com o mesmo motorista e denuncia dificuldades recorrentes no acesso ao transporte público. “Já fui deixado na parada várias vezes. Uma vez ele disse que não ia operar o elevador. Tive que seguir de lá até a integração do Aeroporto porque ninguém queria me levar”, relatou.

O caso ocorreu nas imediações do Terminal Integrado Joana Bezerra. A Polícia Civil de Pernambuco informou que registrou a ocorrência como vias de fato, injúria e dano, e que as investigações seguem em andamento. Segundo a corporação, a confusão envolveu o paratleta e um motorista de 62 anos.

O Sindicato dos Rodoviários repudiou o ocorrido e informou que está acompanhando o caso. A entidade também solicitou acesso às imagens do coletivo e afirmou estar prestando assistência à vítima.

Já a empresa Borborema, responsável pelo ônibus, declarou por meio de nota que lamenta o episódio, mas afirmou que, em apuração interna, não identificou agressão física por parte do motorista. A empresa reforçou ainda que não compactua com qualquer tipo de violência e que preza pela ética e segurança em suas operações.

O caso reacende o debate sobre acessibilidade e respeito às pessoas com deficiência no transporte público da capital pernambucana, evidenciando desafios que vão além da estrutura física e passam também pela conduta e preparo dos profissionais.

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