Flávio Bolsonaro é formalmente investigado pela PF em inquérito do STF sobre financiamento do filme “Dark Horse”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, é alvo de inquérito da Polícia Federal, com relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O inquérito foi aberto em 23 de julho por determinação de Mendonça e apura repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para a produção do filme.

Segundo a Polícia Federal, o procedimento busca apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo senador, no contexto do financiamento da obra junto ao Banco Master. O pedido de investigação partiu da própria PF e recebeu manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O que a investigação apura

De acordo com apuração policial, Flávio Bolsonaro teria atuado como “interlocutor direto” de Daniel Vorcaro nas tratativas relacionadas ao financiamento do filme, com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações. Registros de áudio e mensagens de WhatsApp divulgados em maio mostram que Flávio negociou diretamente com Vorcaro o financiamento da produção.

Os investigadores também mapearam contatos entre o senador e o banqueiro em datas que coincidem com movimentações financeiras da produção. Segundo representação da PF, uma ligação telefônica entre os dois ocorreu em 16 de setembro de 2025, data que coincide com o último repasse identificado ao fundo americano usado no financiamento do filme, e no dia seguinte ambos teriam trocado mensagens para agendar um novo encontro presencial. A própria PF pondera, no entanto, que a coincidência temporal entre o telefonema e a transferência internacional não constitui, isoladamente, prova conclusiva de que o parlamentar tenha ordenado ou intermediado a operação — o episódio foi incorporado ao conjunto de indícios que sustentou o pedido de aprofundamento das investigações.

Valores em discussão

Há divergência entre fontes sobre o montante total solicitado e efetivamente repassado à produção. Reportagens desta sexta-feira (11/9) citam quantias distintas: uma delas menciona um pedido de R$ 131 milhões, dos quais cerca de R$ 60 milhões teriam sido efetivamente quitados, enquanto outra aponta que os repasses de Vorcaro somariam R$ 61 milhões, e uma terceira cita uma negociação de pelo menos US$ 24 milhões, hoje equivalentes a cerca de R$ 122,7 milhões. A divergência entre os números publicados reforça a necessidade de aguardar dados oficiais e consolidados do próprio inquérito, ainda sob sigilo em sua maior parte.

Outras frentes de apuração

Uma das linhas investigadas é a suspeita de que parte dos recursos captados para o filme tenha sido usada para custear ações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A Polícia Federal também apura a atuação de operadores do mercado financeiro apontados como intermediários dos repasses.

É importante destacar que esse inquérito é distinto de outra investigação, conduzida pelo ministro Flávio Dino, que apura, em frente separada, a suspeita de utilização irregular de emendas parlamentares destinadas a entidades e empresas ligadas à produção do filme.

O que diz a defesa

Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade. O senador reconhece que procurou o banqueiro para obter financiamento privado para o filme, mas nega qualquer irregularidade no processo. Em entrevista recente, o candidato afirmou que “não tem absolutamente nada de irregular” em sua participação na busca de recursos privados para a cinebiografia do pai.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.

Estágio da investigação

O inquérito segue majoritariamente sob sigilo, e as suspeitas descritas acima constam de decisões e representações da própria Polícia Federal e do STF — não se trata, portanto, de condenação ou de fato definitivamente comprovado, mas de elementos que fundamentam a abertura e o andamento das apurações.

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