Uma representação protocolada pelo Partido Liberal (PL) no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), contra o candidato ao Senado Eduardo da Fonte (PP), acabou atingindo também material gráfico utilizado pela deputada federal Clarissa Tércio (PP), candidata à reeleição.
A situação provoca incômodo nos bastidores da campanha de Clarissa, principalmente porque a parlamentar mantém proximidade política com Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. Ela participou, inclusive, do palanque de Flávio durante sua passagem por Pernambuco, no último dia 16.
Embora Clarissa não figure como representada na ação, um dos materiais utilizados para fundamentar o pedido apresentado à Justiça Eleitoral é uma peça de sua campanha. Nela, aparece a imagem de Flávio Bolsonaro associada ao número de Eduardo da Fonte, candidato ao Senado.
Segundo uma fonte ligada à campanha de Clarissa, ouvida em reserva, o material da deputada é utilizado em conjunto com a imagem de Flávio. A avaliação interna é de que a representação acaba afetando a estratégia eleitoral da parlamentar.
“O material de Clarissa é 100% casado com Flávio. Só que nosso primeiro voto é Eduardo da Fonte e essa ação foi contra o candidato a senador, mas usaram nosso material para embasar a representação”, afirmou a fonte.
Representação questiona associação entre Flávio e Eduardo
A ação apresentada pelo PL é direcionada formalmente contra Eduardo da Fonte e a coligação Pernambuco de Coração. O argumento é de que materiais de campanha estariam associando visualmente Eduardo da Fonte a Flávio Bolsonaro.
Na representação, o PL sustenta que o material promoveria a candidatura de Eduardo ao Senado em uma associação visual que poderia induzir o eleitor ao erro. O documento também destaca que Flávio Bolsonaro é filiado ao PL, partido que não integra a coligação de Raquel Lyra, e que o candidato à Presidência declarou apoio a José Mendonça Filho na disputa pelo Senado.
O presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, afirmou que a iniciativa partiu da equipe jurídica da campanha de Mendonça Filho.
Material não foi recolhido
O advogado Pietro Duarte, que representa Eduardo da Fonte, explicou que o material questionado não chegou a ser recolhido e não houve aplicação de multa.
Segundo ele, o PL não teria cumprido uma exigência necessária para viabilizar o recolhimento, relacionada à indicação do local e da quantidade dos materiais. Por essa razão, o desembargador eleitoral Fernando Braga Damasceno considerou insuficientes as informações apresentadas para determinar a medida.
A decisão, portanto, não representa uma definição definitiva sobre o mérito da controvérsia.
Ainda segundo Pietro Duarte, ficou estabelecido que materiais relacionados à campanha de Clarissa não poderão apresentar Eduardo da Fonte caso a deputada esteja associada, na mesma peça, a Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, surgiu a interpretação de que a iniciativa teria sido direcionada politicamente contra Clarissa. Anderson Ferreira, porém, negou essa leitura e afirmou que o questionamento sobre o uso da imagem de Flávio está relacionado à disputa pelo Senado e, portanto, à campanha majoritária.
O episódio expõe uma situação peculiar da eleição de 2026 em Pernambuco: um material produzido para a campanha de uma candidata à Câmara Federal passou a integrar uma disputa judicial envolvendo candidatos ao Senado e à Presidência da República.
Com informações da coluna de Renata Bezerra de Melo para o Diário de Pernambuco



