As eleições de 2026 deixaram vencedores, derrotados, surpresas e, como acontece em toda disputa eleitoral, personagens que chamaram atenção não apenas pelo resultado das urnas, mas também pela maneira como reagiram a ele.
Entre os deputados estaduais que não conseguiram garantir uma cadeira na próxima legislatura da Assembleia Legislativa de Pernambuco, dois nomes merecem destaque pela postura adotada após a apuração: Romero Sales Filho, do PSD, e Diogo Moraes, do PSB.
Os dois receberam votações expressivas, mas não alcançaram o quociente eleitoral necessário para assegurar uma das vagas em disputa. Acabaram ficando na suplência. Poderiam, diante de um resultado frustrante, simplesmente silenciar ou adotar um discurso de contestação. Preferiram outro caminho: agradecer.
E talvez seja justamente nesse momento, quando a política deixa de ser uma disputa de números e passa a ser também uma questão de comportamento, que se revela a dimensão de um mandato.
Diogo Moraes destacou que os 46.029 votos recebidos representam muito mais do que uma estatística eleitoral. Para o parlamentar, cada voto simboliza manifestações de confiança, abraços, sorrisos, apertos de mão, palavras de carinho e gestos que permanecem na memória.
Em sua mensagem, o deputado reconheceu que terminou a eleição sem o resultado esperado, mas afirmou deixar a disputa com gratidão. Também fez questão de mencionar a lealdade aos compromissos assumidos e o trabalho desenvolvido durante sua passagem pela Assembleia Legislativa.
A declaração de Diogo traz uma reflexão importante: na política, o resultado de uma eleição é objetivo, mas a trajetória de um mandato não pode ser resumida apenas à conquista ou à perda de uma cadeira.
Romero Sales Filho adotou postura semelhante. O deputado agradeceu aos eleitores que confiaram em seu trabalho, abriram as portas de suas casas, caminharam ao seu lado e participaram de sua trajetória política.
Reconheceu que o resultado das urnas não foi o esperado, mas afirmou recebê-lo com respeito, serenidade e consciência tranquila. Também ressaltou os oito anos de trabalho e dedicação a Pernambuco e garantiu que seguirá exercendo o mandato até o último dia, honrando a confiança recebida.
Há algo de simbólico nessas duas manifestações.
A democracia não é feita apenas de vitórias. Ela também exige maturidade para reconhecer derrotas. Afinal, quem disputa uma eleição precisa estar preparado tanto para ouvir o “sim” das urnas quanto para aceitar o “não”.
É evidente que agradecer votos não transforma uma derrota em vitória. Tampouco significa que os eleitores tenham aprovado integralmente os mandatos ou que os resultados eleitorais devam ser relativizados. Eleição se respeita, e o voto popular é soberano.
Mas existe uma diferença entre perder e saber perder.
Em um ambiente político frequentemente marcado por ataques, acusações, justificativas e tentativas de transferir responsabilidades após resultados negativos, manifestações de respeito aos eleitores e às urnas acabam ganhando relevância.
Diogo Moraes e Romero Sales Filho, cada um à sua maneira, escolheram agradecer. Não esconderam a frustração, mas também não transformaram o resultado em motivo para desqualificar aqueles que fizeram escolhas diferentes.
Isso também é política.
A cadeira na Assembleia Legislativa pode ter prazo determinado. O mandato começa, termina e pode não ser renovado. A suplência pode ser o destino imediato de quem não conseguiu a reeleição. Mas a maneira como um político atravessa esse momento pode deixar uma impressão que vai muito além do resultado de uma eleição.
No fim das contas, talvez essa seja uma das principais lições deixadas pelas eleições de 2026: a política não é feita somente de vitórias eleitorais. É feita também de relações construídas, compromissos assumidos e da capacidade de reconhecer que, em uma democracia, nem sempre o eleitor escolhe aquilo que o candidato deseja.
A derrota eleitoral pode encerrar um ciclo. Não precisa, necessariamente, encerrar uma trajetória.
E, para quem acompanha a política pernambucana, a postura de Romero Sales Filho e Diogo Moraes após as urnas deixa uma mensagem que merece ser registrada: saber agradecer quando se vence é fácil. A verdadeira dimensão de um político também aparece quando ele precisa agradecer depois de perder.
Porque, no fim, o voto passa. O mandato passa. A eleição passa.
O que permanece é a história que cada político construiu e, sobretudo, a forma como tratou aqueles que lhe confiaram o voto.



