Áudio e documentos publicados nesta sexta-feira (9) pela revista apontam suposto financiamento irregular de documentário; relato não foi comprovado e proposta de delação não avançou na PGR.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter destinado cerca de R$ 30 milhões, em dinheiro vivo, ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada nesta sexta-feira (9) pela revista Veja, que divulgou um áudio atribuído ao empresário e documentos relacionados ao relato.
Segundo a reportagem, os recursos teriam sido repassados de maneira irregular para custear parte da produção do documentário Lula, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone e lançado em 2024. A publicação também relata supostos pagamentos ao Instituto Lula, organização ligada ao presidente.
Na gravação divulgada pela revista, Vorcaro afirma que o dinheiro destinado ao filme teria sido repassado “por fora” e de maneira irregular. O ex-banqueiro relaciona os supostos pagamentos a negociações para obter acesso a investimentos de fundos de pensão de servidores públicos federais.
De acordo com a Veja, o relato envolve ainda o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A revista afirma que os nomes aparecem no contexto das negociações descritas pelo ex-banqueiro.
As acusações, entretanto, não equivalem à comprovação de que os pagamentos ocorreram ou de que os citados tenham participado de eventuais irregularidades.
Delação não avançou na Procuradoria-Geral da República
Segundo a própria Veja, Vorcaro apresentou informações sobre o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o relato não resultou no avanço da investigação. A justificativa apontada foi a falta de provas que sustentassem as alegações sobre os pagamentos em espécie. A defesa do ex-banqueiro, por sua vez, afirmou que ele teria elementos para comprovar as entregas dos recursos.
Uma apuração publicada pelo UOL nesta sexta-feira acrescentou outro elemento ao caso: a análise de mensagens extraídas do celular de Vorcaro não identificou registros de pagamentos ou patrocínios relacionados ao documentário sobre Lula. O veículo também informou que a referência aos supostos R$ 30 milhões não aparece nas três propostas formais de delação atribuídas ao ex-banqueiro. A ausência desses registros, isoladamente, não comprova que os pagamentos não tenham ocorrido.
Campanha de Lula contesta acusações
A campanha de Lula negou as acusações e classificou a divulgação do material como uma tentativa de interferência eleitoral. A equipe jurídica do presidente anunciou medidas judiciais contra os envolvidos na divulgação das alegações. O episódio ocorre durante a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para 25 de outubro.
O caso também reacende o debate sobre o financiamento de produções audiovisuais e a necessidade de transparência na origem dos recursos destinados a projetos que envolvem figuras públicas.
Até o momento, o relato atribuído a Vorcaro permanece sem comprovação pública suficiente para confirmar os pagamentos descritos. A apuração dos fatos, a verificação dos documentos e a manifestação dos citados são fundamentais para esclarecer se houve irregularidades e eventual responsabilidade dos envolvidos.
Fontes: revista Veja, edição publicada em 9 de outubro de 2026; UOL, publicação de 9 de outubro de 2026.



