Presidência da Alepe já tem pretendentes, diz Blog do Dantas Barreto

Governadora articula distribuição de espaços na Mesa Diretora e nas principais comissões da Assembleia Legislativa de Pernambuco; seis deputados já demonstram interesse pela presidência

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), começou a articular a formação da próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), cuja eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027. A movimentação busca evitar que o governo volte a enfrentar dificuldades na relação com o Legislativo, especialmente com a possibilidade de um oposicionista assumir a presidência da Casa ou de a base governista perder espaço nas principais comissões parlamentares.

As informações são do blog Dantas Barreto, que aponta a busca por um entendimento entre os aliados da governadora para definir a ocupação dos cargos na direção da Alepe e nas comissões de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ), Finanças e Administração.

Entre os nove deputados estaduais eleitos pelo PSD, quatro já demonstram interesse em disputar a presidência: Débora Almeida, Joãozinho Tenório, Antônio Moraes e Aglailson Victor. Também aparecem na lista de interessados France Hacker (PP) e Gustavo Gouveia.

Segundo o blog, Raquel Lyra afirmou a aliados, durante reunião realizada na semana passada, que espera uma solução consensual para a disputa.

Reuniões devem tratar da distribuição de espaços

A articulação política terá novos desdobramentos nesta terça-feira (13), quando a bancada do PSD deverá se reunir com o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça. A expectativa é que o encontro trate da ocupação de espaços tanto na Mesa Diretora quanto nas principais comissões da Assembleia.

Já nesta quarta-feira (14), a governadora almoçará com os deputados estaduais em um restaurante da Zona Sul. A agenda, de acordo com as informações divulgadas pelo blog, deverá ter um caráter mais descontraído.

Em declarações à coluna, Débora Almeida e Joãozinho Tenório admitiram interesse em colocar seus nomes à disposição para a presidência da Alepe.

Apesar das movimentações, a eleição ainda está a cerca de três meses de distância. O cenário permanece aberto, e a antecipação das disputas pode dificultar as negociações entre os grupos políticos.

Oposição mira a Primeira-Secretaria

Enquanto o PSD trabalha para garantir espaço na direção da Assembleia, a oposição também se movimenta. O principal alvo, neste momento, seria a Primeira-Secretaria, atualmente ocupada pelo deputado reeleito Francismar Pontes (PSB).

O PSB conquistou nove cadeiras na Alepe e considera ter força política para reivindicar participação na estrutura administrativa do Legislativo. A disputa pela Primeira-Secretaria, portanto, poderá integrar as negociações entre governistas e oposicionistas.

Resultado da eleição presidencial pode influenciar acordo

As definições sobre a Mesa Diretora também deverão levar em consideração o resultado da eleição presidencial e a composição do primeiro escalão do próximo governo Raquel Lyra.

A distribuição de cargos e espaços políticos poderá influenciar as negociações, especialmente diante da existência de lideranças que saíram fortalecidas das urnas e de aliados que não conseguiram conquistar mandatos.

Conforme destaca o blog Dantas Barreto, dificuldades enfrentadas pela governadora durante boa parte do atual mandato estiveram relacionadas à falta de espaço para determinadas lideranças que a apoiaram nas eleições de 2022.

Débora Almeida avalia escolha de líder do Governo

A deputada reeleita Débora Almeida (PSD) demonstrou confiança na capacidade de Raquel Lyra para escolher o próximo líder da bancada governista na Assembleia Legislativa.

A partir de fevereiro de 2027, a governadora contará com uma base de 29 deputados estaduais. Para Débora, a escolha do responsável pela liderança do Governo será importante, sobretudo diante da qualificação dos parlamentares que deverão integrar a oposição.

A função será estratégica para articular votações, defender as propostas do Executivo e conduzir o diálogo entre o governo e os demais integrantes do Legislativo.

Maria Arraes surge como opção para liderar a oposição

Do outro lado, a futura bancada de oposição será formada por 17 deputados estaduais, que também precisarão definir quem assumirá a liderança do grupo.

Uma das possibilidades mencionadas é a deputada federal Maria Arraes (PSB), que deixará a Câmara dos Deputados e poderá iniciar uma nova etapa de sua trajetória política na Assembleia Legislativa.

A experiência acumulada em Brasília e o perfil para o debate parlamentar são apontados como fatores favoráveis ao nome da socialista. Outro aspecto considerado nas articulações é a possibilidade de Maria Arraes protagonizar críticas à governadora sem que os embates sejam interpretados sob a perspectiva da violência de gênero.

A definição da liderança oposicionista deverá influenciar a estratégia de fiscalização do governo e a atuação do grupo nas discussões e votações da Casa.

Alberto Feitosa promete independência

O deputado estadual Alberto Feitosa (PL), um dos críticos da gestão de Raquel Lyra, afirmou que manterá uma postura independente no próximo mandato.

Durante a campanha eleitoral deste ano, Feitosa pediu votos para a governadora. Segundo ele, a decisão foi motivada pelo fato de João Campos (PSB), principal adversário de Raquel na disputa, representar uma alternativa com a qual não concordava.

Apesar do apoio eleitoral à governadora, o parlamentar assegura que continuará atuando de forma independente na Assembleia Legislativa.

Além de Feitosa, Gleide Ângelo (PP) e Fabrízio Ferraz (Podemos) são apontados como deputados que também deverão adotar uma posição independente na próxima legislatura.

Com diferentes grupos disputando espaço, a formação da Mesa Diretora da Alepe será uma das primeiras grandes negociações políticas após as eleições de 2026. Até fevereiro de 2027, a governadora e os parlamentares terão o desafio de construir acordos capazes de definir a direção da Casa e o equilíbrio de forças no Legislativo pernambucano.

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