Pix e fraudes bancárias: como se proteger dos golpes mais comuns?

Por Winicius Dias Vasconcelos Galdino
Advogado Especializado em Direito Bancário

O PIX é utilizado por 80% da população brasileira e bateu recorde de 313,3 milhões de transações em um único dia (05/12/2025), segundo o Banco Central. Essa praticidade, porém, tem atraído grupos criminosos que exploram a velocidade das transferências para aplicar golpes cada vez mais sofisticados.

Como funcionam os golpes mais comuns?

Estes golpes exploram a confiança e o desconhecimento das vítimas através da engenharia social. Os mais frequentes são o “golpe da falsa central do banco” e o “golpe do falso advogado”.

No golpe da falsa central, a vítima recebe ligação de alguém se passando por funcionário do banco, alegando “movimentações suspeitas” ou “falha de segurança grave”. Sob pressão de urgência e ameaças de bloqueio da conta, a pessoa é induzida a clicar em links maliciosos ou autorizar procedimentos que entregam o controle da conta aos criminosos.

No golpe do falso advogado, os criminosos utilizam dados reais de processos judiciais públicos, incluindo fotos e informações detalhadas. Em casos extremos, usam inteligência artificial para reproduzir a voz do advogado verdadeiro. Simulam conversas com servidores do Judiciário e exigem pagamentos urgentes de custas ou taxas via PIX.

Em ambos os casos, o PIX facilita a ação criminosa pela rapidez da transferência e dispersão dos valores entre múltiplas contas, dificultando a recuperação.

Proteja-se com atitudes simples

A melhor defesa está em reconhecer os padrões desses golpes:

  • Nenhum banco solicita senhas, códigos ou dados pessoais por telefone. Quando há problemas de segurança, a instituição bloqueia transações e aguarda que você entre em contato pelos canais oficiais.
  • Desconfie de urgência artificial. Essa pressão é intencional para impedir que você reflita ou consulte outras fontes.
  • Se receber ligação alegando ser de seu advogado solicitando pagamentos, encerre a chamada e retorne pelo número que você já possui ou por canais oficiais do escritório. O mesmo vale para contatos do Judiciário.
  • Jamais clique em links recebidos por telefone, SMS ou aplicativos, mesmo que pareçam legítimos.

O que fazer se você for vítima?

Agir rapidamente pode fazer diferença na recuperação dos valores:

  1. Conteste imediatamente as transações pelo aplicativo do banco para acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED). A Resolução BCB nº 493 agora permite bloqueios em camadas, rastreando o dinheiro mesmo em contas de terceiros (“laranjas”).
  2. Se não conseguir pelo aplicativo, entre em contato com o serviço de atendimento e exija a abertura do procedimento.
  3. Registre boletim de ocorrência. Pode ser no dia seguinte se estiver abalado, mas não demore muito.
  4. Preserve todas as evidências: protocolos, mensagens, comprovantes.
  5. Considere reclamações formais junto aos bancos que mantêm contas dos golpistas, fiscalizando se seguiram padrões regulatórios.

*Responsabilidade das instituições financeiras

Não basta olhar apenas para a conduta das vítimas. As instituições financeiras têm o dever de adotar medidas adequadas de gerenciamento de risco, analisar se as transações são compatíveis com o perfil do consumidor, manter monitoramento efetivo de movimentações atípicas, abrir contas e mantê-las com padrões de segurança. Mesmo em golpes de engenharia social, elas não estão isentas de responsabilidade.

Informação como prevenção

Compartilhar essas orientações com familiares, especialmente aqueles com menor familiaridade tecnológica, é um ato de proteção coletiva. Diante de qualquer situação suspeita, busque orientação adequada antes de tomar decisões. Consulte presencialmente pessoas de confiança ou canais oficiais das instituições envolvidas.

Conclusão

No Brasil, quem não foi vítima de golpe conhece pelo menos alguém que já foi. Infelizmente, essa realidade se tornou tão comum que virou até assunto de conversa cotidiana.

Embora as orientações apresentadas aqui sejam importantes para prevenção e primeiros passos após a fraude, elas não dispensam a busca por assessoria jurídica especializada. Um advogado ou advogada poderá orientá-lo adequadamente sobre seus direitos, avaliar as responsabilidades envolvidas e buscar as melhores formas de resguardar seus interesses.

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