Vitória histórica coloca o cinema brasileiro novamente no topo da premiação internacional e reforça trajetória promissora rumo ao Oscar
O cinema brasileiro voltou a brilhar no Globo de Ouro. Na cerimônia realizada no último domingo (11), “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, conquistaram o prêmio de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e melhor ator de drama.
Antes dessa vitória, o Brasil havia conquistado essa categoria apenas uma vez, em 1998, com “Central do Brasil”, também dirigido por Walter Salles. O filme, que tem Fernanda Montenegro no papel principal, levou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 1999, além de ter vencido o Urso de Ouro no Festival de Berlim em 1998.
Uma trajetória premiada
“O Agente Secreto” teve sua estreia mundial no Festival de Cannes em maio de 2025, onde competiu pela Palma de Ouro e conquistou os prêmios de Interpretação Masculina para Wagner Moura e Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho. Desde então, o filme acumulou mais de 50 prêmios em festivais nacionais e internacionais.
No Globo de Ouro de 2026, o longa foi indicado em três categorias: Melhor Filme em Língua Não Inglesa, Melhor Filme em Drama e Melhor Ator em Drama, tornando-se o primeiro filme brasileiro a ser indicado nas duas últimas categorias. A tripla indicação já representava um marco inédito para o cinema nacional.
Ambientado em Recife durante o ano de 1977, em pleno governo de Ernesto Geisel, o filme nasceu do desejo de Kleber Mendonça Filho de realizar um “exercício histórico” sobre um período da ditadura militar brasileira que considera menos explorado no cinema.
Sucesso de público e crítica
O impacto do filme vai além das premiações. Em dezembro de 2025, com seis semanas em cartaz nos cinemas, “O Agente Secreto” alcançou a marca de 1 milhão de espectadores, tornando-se o primeiro filme brasileiro produzido fora do eixo Sul-Sudeste a alcançar este número.
A repercussão internacional também foi expressiva. A revista The Hollywood Reporter elegeu a produção como o melhor filme de 2025. O crítico Wesley Morris, do The New York Times, elogiou o ritmo da narrativa e a interpretação de Wagner Moura, enquanto a Variety descreveu o longa como “hipnotizante”.
Produção internacional e apoio institucional
“O Agente Secreto” é uma coprodução envolvendo Brasil, França, Holanda e Alemanha, com as produtoras CinemaScópio Produções, MK2 Films, Lemming Film e One Two Films. O projeto contou com apoio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) do Brasil, do Centre national du cinéma francês e do Netherlands Film Fund.
A distribuição internacional demonstra a força da produção: nos Estados Unidos e Canadá, o filme tem distribuição da Neon, reconhecida por apostar em títulos de arte; no Reino Unido e outros mercados, a MUBI assumiu a distribuição.
O caminho para o Oscar
Um ano após o fenômeno de “Ainda Estou Aqui” na temporada de premiações, quando Fernanda Torres venceu como Melhor Atriz no Globo de Ouro de 2025 e o filme conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional, o cinema brasileiro mantém presença forte no cenário internacional.
O Globo de Ouro é tradicionalmente considerado um termômetro para o Oscar. “O Agente Secreto” foi escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2026, decisão anunciada em setembro pela Academia Brasileira de Cinema, e a vitória no Globo de Ouro fortalece suas chances na maior premiação do cinema mundial.
Publicações especializadas já apontam o filme como forte candidato não apenas ao Oscar de Melhor Filme Internacional, mas também nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Direção e Melhor Roteiro.
Um novo momento para o cinema brasileiro
A vitória de “O Agente Secreto” no Globo de Ouro representa mais do que um troféu: simboliza a consolidação de uma nova geração do cinema brasileiro no cenário internacional. Se “Central do Brasil”, em 1998, marcou a retomada do cinema nacional após a crise dos anos 1990, “O Agente Secreto” confirma a maturidade artística e técnica das produções brasileiras contemporâneas.
Com dois filmes brasileiros vencendo o Globo de Ouro em menos de 30 anos – e ambos dirigidos por cineastas que compartilham o sobrenome Salles (Walter em 1998 e Kleber Mendonça Filho, que produziu com apoio da CinemaScópio em 2026) – o país reafirma seu lugar entre as cinematografias mais relevantes do mundo.
A expectativa agora se volta para a cerimônia do Oscar, marcada para março de 2026, quando o Brasil poderá celebrar novamente o reconhecimento de sua arte cinematográfica no palco mais importante do cinema mundial.



