Portugal às urnas: eleições presidenciais em meio à ascensão da extrema direita

Mais de 11 milhões de eleitores escolhem neste domingo o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa em disputa histórica com 11 candidatos e provável segundo turno

Portugal realiza neste domingo, 18 de janeiro de 2026, eleições presidenciais com recorde de 11 candidatos para escolher o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, que cumpriu o limite constitucional de dois mandatos consecutivos de cinco anos. Com 11.039.672 eleitores inscritos, sendo este o maior contingente eleitoral desde a redemocratização em 1976, a votação começou às 8h locais (5h de Brasília) e segue até as 19h (16h de Brasília).

Cenário de disputa acirrada

As últimas sondagens apontam para um cenário de empate técnico entre os principais candidatos. António José Seguro (Partido Socialista) lidera com 20,8% das intenções de voto, seguido por João Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal) com 20,1% e André Ventura (Chega) com 19,8%, todos dentro de uma margem estreita que torna impossível prever o resultado.

A afluência às urnas tem surpreendido: até o meio-dia, a participação atingiu 21,18%, a maior dos últimos 20 anos, superando significativamente os 17,07% registrados no mesmo horário nas eleições de 2021, quando a abstenção chegou a 60,76%.

A ameaça populista de André Ventura

Entre os favoritos está André Ventura, líder do partido populista Chega, que se tornou a segunda maior força parlamentar portuguesa em 2025, apenas seis anos após sua fundação. O candidato de 42 anos, ex-comentarista esportivo, tem feito da imigração seu principal tema de campanha.

Durante a disputa, Ventura colocou outdoors pelo país com frases como “Isto não é Bangladesh” e “Os imigrantes não devem poder viver da assistência social”, considerados discriminatórios por um tribunal administrativo que ordenou sua retirada. Sua campanha representa uma ruptura no debate público português, onde manifestações anti-imigração eram raras até recentemente.

Outros candidatos de destaque

Além do trio de favoritos, a disputa conta com figuras relevantes:

  • Luís Marques Mendes, do Partido Social Democrata (centro-direita), atualmente no governo
  • Henrique Gouveia e Melo, almirante reformado de 65 anos que ganhou popularidade ao comandar a campanha de vacinação contra a Covid-19 em Portugal, elogiada como uma das mais eficientes do mundo
  • Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, única mulher entre os candidatos

Sistema eleitoral e próximos passos

Para vencer em primeiro turno, um candidato precisa obter maioria absoluta dos votos válidos. Caso nenhum alcance os 50%, haverá segundo turno em 8 de fevereiro entre os dois mais votados.

Embora o cargo seja considerado em grande parte cerimonial, o presidente português detém peso político significativo em momentos de crise, podendo dissolver o Parlamento, destituir o governo e vetar legislações. Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, convocou eleições antecipadas três vezes durante seus dois mandatos.

Contexto político conturbado

Portugal realizou sua terceira eleição geral em três anos em maio de 2025, no pior período de instabilidade política das últimas décadas. Estabilizar o país emerge como um dos principais desafios para o próximo presidente, que tomará posse em 9 de março.

Os resultados das pesquisas de boca de urna começarão a ser conhecidos a partir das 20h locais (17h de Brasília), após o fechamento das últimas urnas nos Açores. Quatro empresas estão autorizadas a realizar essas sondagens: Universidade Católica Portuguesa (Cesop), Pitagórica, Intercampus e Metris.

Com a disputa prevista para ser a mais acirrada da história democrática portuguesa, o país aguarda para saber se terá seu primeiro presidente populista ou se as forças políticas tradicionais conseguirão manter o controle do Palácio de Belém.

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