Antônio de Siqueira Campos: O afogadense que serviu na 2ª Guerra Mundial

Do sertão pernambucano aos campos de batalha da Itália, a trajetória de Antônio de Siqueira Campos é um testemunho vivo do sacrifício e da coragem dos brasileiros que arriscaram suas vidas em nome da pátria e da democracia.

Nascido em Afogados da Ingazeira, no coração do sertão do Pajeú, Antônio de Siqueira Campos deixou sua terra natal ainda jovem em busca de novos horizontes. Seu destino foi o Rio de Janeiro, onde ingressou no Exército Brasileiro e rapidamente demonstrou sua vocação para a vida militar, alcançando o posto de Sargento.

Sua primeira grande prova de fogo veio em 1932, durante a Revolução Constitucionalista. Combatendo pelas forças federais, Antônio participou da ocupação do Estado de São Paulo após a vitória das tropas governistas. Permaneceu em Mogi das Cruzes, município que havia sido um importante centro logístico das forças paulistas, testemunhando de perto os desdobramentos daquele conflito que marcou profundamente a história republicana brasileira.

Mas foi em 22 de setembro de 1944 que Antônio de Siqueira Campos escreveria seu capítulo mais glorioso. Naquela data, embarcou rumo à Europa como integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), unindo-se aos milhares de pracinhas brasileiros convocados para combater o nazifascismo.

Designado para lutar na Itália, então ocupada pelas tropas da Wehrmacht, o sertanejo pernambucano enfrentou o rigor do inverno europeu e os horrores da guerra. Atravessou oceanos, marchou por terras estrangeiras e arriscou a própria vida defendendo valores universais de liberdade e dignidade humana.

Em 28 de julho de 1945, após honrar a bandeira brasileira nos campos de batalha europeus, Antônio retornou vitorioso ao Brasil, trazendo consigo não apenas medalhas, mas histórias de bravura que atravessariam gerações.

Ao longo de sua carreira militar, Antônio de Siqueira Campos alcançou o posto de Major do Exército Brasileiro, reconhecimento de sua dedicação e competência. No Rio de Janeiro, construiu sua família ao casar-se com Albertina Jesus da Rocha, natural daquele estado, com quem teve dois filhos.

Mesmo distante geograficamente de sua terra natal, mantinha vivos os laços afetivos com o sertão do Pajeú. Sua correspondência constante com a irmã, Dona Carmélia, revelava a saudade e o amor pelas raízes que nunca o abandonaram.

Antônio de Siqueira Campos faleceu no Rio de Janeiro aos 60 anos, deixando profundas saudades, especialmente em sua irmã e nos familiares que cultivavam sua memória. Mais do que um militar, foi um verdadeiro guerreiro do sertão do Pajeú: um brasileiro que não hesitou em atravessar oceanos, enfrentar o inimigo em terras distantes e colocar a própria vida em risco pela liberdade.

Ao lado de tantos outros filhos desta nação, Antônio ajudou a escrever uma página decisiva da história do Brasil e do mundo. Seu nome merece ser lembrado não apenas como mais um soldado, mas como símbolo daqueles que, vindos dos mais diversos recantos deste país continental, responderam ao chamado do dever quando a humanidade mais precisava.

Seu legado permanece como exemplo de coragem, honra e amor à pátria, valores que transcendem o tempo e continuam inspirando as novas gerações de brasileiros.

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