PF identificou grupo ligado a Daniel Vorcaro após suspeita de drone que buscava cachorro desaparecido

A suspeita de que sua residência, em Nova Lima (MG), estivesse sendo monitorada por um drone acabou contribuindo para que a Polícia Federal (PF) identificasse a estrutura de um grupo investigado por atuar na intimidação de desafetos do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

De acordo com as investigações, o drone que sobrevoava o condomínio não fazia parte de qualquer esquema de espionagem. O equipamento era utilizado por um morador da região que procurava seu cachorro desaparecido, chamado Pitoco. Ainda assim, a reação de Vorcaro desencadeou uma série de ações que forneceram à PF elementos importantes para a investigação.

Mensagens interceptadas entre Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, revelam que, em 26 de março de 2024, o empresário demonstrou preocupação com os voos do drone sobre sua propriedade e pediu que a situação fosse resolvida.

Em resposta, Sicário sugeriu enviar uma viatura ao local e perguntou se Vorcaro preferia uma abordagem “ostensiva” ou “velada”. Segundo a PF, o empresário optou pela primeira alternativa, com o objetivo de intimidar o suposto responsável pelo monitoramento.

Nas conversas, também foram discutidas a possibilidade de registrar um boletim de ocorrência e a aquisição de um equipamento “anti-drone” para derrubar a aeronave. O relatório da PF aponta que Vorcaro demonstrou receio em formalizar a denúncia para evitar chamar atenção. Não há informação sobre a compra do equipamento.

Entrada em condomínio levou à identificação

As diligências realizadas após as reclamações sobre o drone acabaram permitindo que a PF identificasse um dos principais integrantes do grupo investigado.

Em abril de 2024, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva enviou um áudio a Sicário solicitando que sua entrada fosse autorizada no condomínio onde Vorcaro residia. A mensagem foi repassada ao empresário, que iniciou os procedimentos para liberar o acesso.

O registro da entrada de Marilson na portaria foi posteriormente cruzado com mensagens interceptadas e bancos de dados da Polícia Federal, confirmando sua identidade e sua suposta função como líder operacional do grupo.

Segundo a investigação, a equipe liderada por Marilson entrou no condomínio em duas ocasiões. Na primeira, não conseguiu localizar o endereço do suposto responsável pela espionagem. Na segunda visita, os integrantes concluíram que o drone estava sendo utilizado apenas por um vizinho na busca por Pitoco, um cachorro desaparecido.

Os investigadores encontraram, entre as mensagens trocadas pelo grupo, uma imagem do panfleto distribuído pelo tutor do animal, que informava que o cão era dócil, tinha 10 anos de idade e estava assustado após fugir.

Estrutura da organização

Segundo a Polícia Federal, o grupo conhecido como “A Turma” era responsável por executar ameaças, intimidações, coerções, levantamentos clandestinos sobre desafetos, além de obter dados sigilosos e realizar acessos indevidos a sistemas governamentais.

As investigações apontam que Marilson Roseno da Silva exercia a liderança operacional da organização. Ele está preso desde março deste ano, após ser alvo de uma operação da PF relacionada ao caso envolvendo o Banco Master.

Ainda conforme a investigação, a estrutura do grupo era dividida em três frentes de atuação:

  • demanda e financiamento;
  • atuação presencial e territorial;
  • núcleo policial-informacional.

A Polícia Federal estima que os pagamentos destinados ao funcionamento da organização chegavam a cerca de R$ 400 mil por mês.

A CNN informou que tentou localizar a defesa de Marilson Roseno da Silva para comentar as acusações, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

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