Tribunais pagaram R$ 722,8 milhões em “penduricalhos” após novas restrições do STF

Mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) estabelecer novas regras para limitar os chamados “penduricalhos” pagos à magistratura, tribunais estaduais desembolsaram ao menos R$ 722,8 milhões em verbas extras destinadas a juízes e desembargadores entre os meses de maio e junho deste ano.

Os dados são de um levantamento realizado pela CNN com base nas informações do Portal de Remuneração da Magistratura, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O montante corresponde ao pagamento de direitos pessoais, indenizações e direitos eventuais, categorias que incluem verbas como férias indenizadas, plantões, licenças não usufruídas, auxílios e outras compensações financeiras.

As novas diretrizes do STF passaram a valer a partir do mês-base de abril, refletindo nos salários pagos em maio. A expectativa era de maior controle sobre os pagamentos acima do teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.

Pagamentos continuam elevados

Em maio, 23 tribunais estaduais informaram ao CNJ gastos de R$ 479,9 milhões com essas verbas extras. Já em junho, considerando os dados disponibilizados por 15 tribunais até a conclusão do levantamento, os pagamentos somaram R$ 242,9 milhões.

O maior desembolso mensal foi registrado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que pagou R$ 184,4 milhões apenas em maio. A corte paulista ainda não havia informado ao CNJ os dados referentes ao mês de junho.

Na sequência aparece o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que desembolsou R$ 74,9 milhões em maio e R$ 35,6 milhões em junho, acumulando R$ 110,6 milhões nos dois meses.

Ranking dos tribunais

Entre os tribunais que divulgaram dados completos de maio e junho, os maiores pagamentos em “penduricalhos” foram:

  • TJRJ: R$ 110.648.647,19
  • TJPR: R$ 62.394.617,76
  • TJRS: R$ 61.530.330,64
  • TJBA: R$ 40.623.395,38
  • TJPE: R$ 40.439.736,61
  • TJGO: R$ 30.627.414,44
  • TJMA: R$ 29.304.640,95
  • TJPA: R$ 25.711.561,62
  • TJDFT: R$ 24.432.315,20
  • TJPI: R$ 17.066.421,13
  • TJRN: R$ 15.858.757,93
  • TJRO: R$ 15.660.626,47
  • TJAP: R$ 7.219.554,94
  • TJAC: R$ 7.130.853,80
  • TJRR: R$ 3.123.782,37

O que mudou com a decisão do STF

Em março, o STF definiu novos parâmetros para restringir os pagamentos de verbas extras e reforçar o cumprimento do teto constitucional da magistratura.

A decisão não extinguiu todas as verbas indenizatórias, mas determinou o corte imediato de benefícios criados por normas locais e estabeleceu que determinados pagamentos somente poderão ocorrer em situações específicas, mediante comprovação e dentro de limites estabelecidos.

Entre as regras, ficou definido que as verbas indenizatórias autorizadas, como férias, plantões e licenças não usufruídas por necessidade de serviço, não podem ultrapassar 35% do valor do subsídio do magistrado.

CNJ acompanha cumprimento das regras

Em resposta à CNN, o Conselho Nacional de Justiça informou que os dados do Painel de Remuneração da Magistratura são oficiais e enviados pelos próprios tribunais, responsáveis também pela validação das informações.

O órgão afirmou ainda que a Corregedoria Nacional de Justiça acompanha permanentemente o sistema remuneratório e permanece atenta a eventuais descumprimentos das determinações fixadas pelo Supremo.

Tribunais apresentam justificativas

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) informou que as folhas de pagamento de maio e junho foram previamente submetidas à auditoria da Corregedoria Nacional de Justiça e que os pagamentos receberam autorização antes de serem efetivados. A corte acrescentou que prestará os esclarecimentos solicitados pelo STF dentro do prazo estabelecido.

Já o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) afirmou cumprir integralmente as determinações do STF e dos órgãos de controle, ressaltando que as informações sobre remuneração de magistrados e servidores são públicas e seguem os critérios definidos pelo CNJ.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) declarou apenas que os esclarecimentos já foram encaminhados às autoridades competentes.

STF amplia fiscalização

Na última segunda-feira (6), o Supremo intensificou a fiscalização sobre os pagamentos acima dos limites fixados para os chamados “penduricalhos”.

Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes determinaram que os presidentes dos tribunais de Justiça do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia apresentem, no prazo de 48 horas, informações detalhadas sobre os valores pagos a magistrados da ativa, aposentados e pensionistas entre abril e julho deste ano.

A medida faz parte do monitoramento do cumprimento das novas regras estabelecidas pelo STF para conter pagamentos que ultrapassem o teto constitucional da magistratura.

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