A convenção do PSB realizada no último sábado (1º) deixou uma imagem que chamou a atenção de quem acompanha a política pernambucana há mais tempo: a participação discreta do ex-deputado federal e ex-presidente da Sudene, Danilo Cabral.
Há apenas quatro anos, Danilo era o nome escolhido pelo PSB para disputar o Governo de Pernambuco, carregando a responsabilidade de representar um projeto político construído ao longo de décadas. Neste ano, porém, o cenário foi diferente. Com o protagonismo concentrado nas novas lideranças da legenda, o ex-parlamentar acabou ocupando um espaço secundário, praticamente no escanteio do palco, numa demonstração simbólica de como a política muda rapidamente.
É impossível ignorar a trajetória de Danilo Cabral. Durante seus mandatos como deputado federal, consolidou forte atuação no Sertão pernambucano, conquistando bases políticas importantes e sendo considerado um dos principais quadros do PSB. Sua passagem pela Sudene também reforçou seu papel nos debates sobre desenvolvimento regional.
Após o resultado das eleições de 2022, quando terminou a disputa pelo Governo do Estado na quarta colocação, Danilo viu sua influência política diminuir. Chegou a cogitar uma candidatura à Câmara dos Deputados, mas a perda de bases eleitorais tornou o caminho mais difícil, levando-o a ficar fora da disputa deste ano.
A política é dinâmica e frequentemente renova seus protagonistas. Ainda assim, é legítimo reconhecer quando um quadro experiente passa a ocupar uma posição de menor destaque. Independentemente das divergências partidárias ou eleitorais, Danilo Cabral construiu uma história de serviços prestados a Pernambuco, especialmente ao Sertão, e sua redução de protagonismo representa a saída de cena de uma liderança que, por muitos anos, esteve entre as mais influentes do PSB.
O tempo dirá se esse capítulo representa apenas um período de retração ou o encerramento definitivo de um ciclo. Mas a imagem deixada pela convenção foi clara: um político que já esteve no centro das principais decisões do partido agora observa a nova geração assumir o protagonismo.




