Na guerra pelo poder, vale tudo?

A política pernambucana viveu, neste domingo, mais um episódio que deveria provocar reflexão em todos os lados do espectro político.

A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra, foi alvo de uma ação que ultrapassou os limites do debate político ao envolver sua honra e sua família. Panfletos com conteúdo ofensivo e a comparação da governadora com uma assassina foram espalhados pelas ruas do Recife durante a manhã.

Independentemente de preferências partidárias ou eleitorais, ataques que atingem a vida pessoal e familiar de um candidato não contribuem para o debate democrático. A crítica política é legítima. A divergência faz parte da democracia. A destruição da honra, porém, é outra coisa.

O principal adversário de Raquel na disputa pelo Governo de Pernambuco, João Campos, negou que os ataques tenham partido de integrantes ou organizadores de sua campanha. O candidato também relembrou o episódio envolvendo a morte de seu pai, Eduardo Campos, durante a campanha presidencial de 2014, e afirmou ter recorrido à Justiça para que eventuais responsáveis por ataques dessa natureza fossem responsabilizados criminalmente caso tentassem associá-los à sua candidatura.

Quem acompanha campanhas eleitorais sabe que a disputa pelo poder pode produzir estratégias das mais variadas. Também não é novidade que, em determinados momentos, surgem acusações, provocações e até tentativas de atribuir a adversários ações que não necessariamente partiram deles.

Por isso, diante de episódios como o de hoje, é preciso cautela. Acusações precisam ser investigadas e responsabilidades, comprovadas. Não se pode condenar alguém apenas pela conveniência política do momento.

Mas fica uma pergunta que deveria ser feita por todos os candidatos, partidos e eleitores:

Até onde deve ir o respeito pelo adversário em uma campanha política?

O eleitor merece conhecer propostas, comparar governos, questionar decisões e cobrar resultados. O que não deveria fazer parte de uma eleição é a transformação do adversário em inimigo, especialmente quando familiares e questões pessoais passam a ser utilizados como armas políticas.

Como escreveu Nelson Rodrigues: “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos.”

A frase, embora dura, encontra eco em uma realidade preocupante: quando a busca pelo poder passa a justificar qualquer método, quem perde não é apenas o candidato atacado.

Perde a política.

Perde o debate público.

E, no fim, pode perder a própria sociedade.

Porque a falta de limites em uma campanha pode até ajudar a decidir uma eleição. Mas também pode definir, para o bem ou para o mal, o futuro de uma cidade, de um estado e de um país.

E isso deveria preocupar a todos, independentemente de lado político.

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