O tabuleiro político em Pernambuco está longe de qualquer marasmo. Pelo contrário, ferve. A mais recente labareda atende pelo nome de Marília Arraes, que decidiu transformar em fato consumado aquilo que já vinha sendo ensaiado nos bastidores: a disputa pelo Senado. O anúncio, feito pela própria no último fim de semana, soou menos como surpresa e mais como rompimento formal de um acordo que, ao que tudo indica, ficou pelo caminho.
Em nota, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, não economizou nas entrelinhas, nem nas linhas mesmo. Fez questão de lembrar que foi na legenda que Marília construiu a trilha para disputar o Governo do Estado. E emendou com um recado que, em política, costuma ser mais barulhento que o Carnaval de Olinda: “Narrativas não se sobrepõem aos fatos. A marca do Solidariedade é clara: palavra dada, palavra cumprida”. O destinatário da mensagem estava bem definido.
O que ficou claro é que o combinado não saiu exatamente como combinado. E surge então a pergunta que ecoa nos corredores: como Marília pretende viabilizar uma candidatura ao Senado pelo Partido Democrático Trabalhista se o presidente da sigla, Carlos Lupi, está alinhado ao projeto de João Campos para o Governo do Estado, e se o espaço oferecido a ela foi o de deputada federal? Em política, até portas entreabertas fazem barulho quando se fecham.
Enquanto Marília movimenta peças e tensiona alianças, sua irmã, a deputada federal Maria Arraes, adota estratégia oposta: menos holofote, mais articulação. Em conversas com aliados do PT e do PSB, busca o discurso da unidade e da tal “reconstrução de Pernambuco”, expressão que virou senha para quem a oposição ao governo Raquel Lyra.
No fim das contas, enquanto uma aposta no voo solo em céu turbulento, a outra parece investir na construção de pista compartilhada. Se Marília escolheu o caminho sem volta, Maria tenta pavimentar o caminho ao diálogo, à convergência e, em tempos em que palavra dada pode até não ser sempre cumprida, mas memória política nunca é curta.



