Os Invisíveis – por Ademar Rafael

Poema escrito para coletânea da VIVARA EDITORA – Poetize 2024, classificado e inserido no livro publicado sobre certame.


Ele é um ser invisível
Tratado por marginal,
Sua voz é inaudível
No mundo do capital.
Por alguns é rejeitado
Por outros ignorado…
Sem amigo, sem vizinho
Sua luta continua
A UM MORADOR DE RUA
POUCOS TRATAM COM CARINHO.

Não sabem de onde vem
Nem sabem pra onde vai
Se foi casado com alguém?
Alguém conhece de pai?
Nem ele sabe as respostas
Com grande peso nas costas
Enfrenta o duro caminho
Onde o sofrimento atua
A UM MORADOR DE RUA
POUCOS TRATAM COM CARINHO.

Do mundo dos excluídos
Dá aula de cada passo
Na morada dos vencidos
Habita com seu fracasso.
Em almoço dominical
Ou em jantar de natal…
A gota de um bom vinho
Nunca entrou na boca sua
A UM MORADOR DE RUA
POUCOS TRATAM COM CARINHO.

No censo não é contado
Se alimenta de esmola,
Não sabe o que é Estado
Nunca foi em uma escola.
A sua cama é o chão,
A coberta um papelão,
Da droga vive pertinho…
Seu pensar ninguém anua.
A UM MORADOR DE RUA
POUCOS TRATAM COM CARINHO.

A sociedade injusta
A esse membro ignora
Sua cegueira robusta
Não nota quanto ele chora.
E não ver que ao relento
Exposto à chuva e ao vento
Sobrevive ele sozinho
Sem que o sofrer diminua.
A UM MORADOR DE RUA
POUCOS TRATAM COM CARINHO.

Ver posts semelhantes