A Alpargatas, empresa controladora da marca Havaianas, demonstrou rápida recuperação na Bolsa de Valores brasileira após dois dias de turbulência provocada pela repercussão negativa de sua campanha publicitária de fim de ano. Nesta terça-feira (23), as ações encerraram em alta, apagando as perdas registradas na sessão anterior, com os papéis preferenciais (ALPA4) avançando 4,46% e atingindo R$ 11,95, enquanto as ações ordinárias (ALPA3) saltaram 8,73%, chegando a R$ 10,96.
A Polêmica que Abalou o Mercado
A controvérsia começou após a divulgação de um comercial da Havaianas estrelado por Fernanda Torres, no qual a atriz afirma que não deseja que o público comece 2026 “com o pé direito”. A frase, que faz um jogo de palavras com a expressão popular, foi interpretada por parte da audiência conservadora como uma provocação política.
Na segunda-feira (22), as ações da companhia fecharam com queda de 2,39%, a R$ 11,44, equivalente a uma perda de valor de mercado de cerca de R$ 152 milhões. A reação negativa foi liderada por figuras políticas da direita, incluindo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que publicou vídeo descartando um par de sandálias da marca e convocando apoiadores ao boicote.
Reação Dividida nas Redes Sociais
A polêmica dividiu opiniões no cenário político brasileiro. Enquanto políticos como os deputados Bia Kicis e Capitão Alberto Neto reforçaram o estímulo ao boicote, parlamentares da base governista reagiram exibindo seus próprios chinelos em apoio à marca. O deputado Paulo Pimenta, ex-ministro da Comunicação Social, declarou nas redes sociais que compraria novos pares no Natal.
O perfil da Havaianas ganhou 100 mil seguidores em poucas horas após a polêmica, demonstrando que a repercussão também trouxe efeitos positivos em termos de engajamento digital. Marcas concorrentes como Ipanema e Tropical aproveitaram o momento para se posicionar no mercado, com a Ipanema dobrando seu número de seguidores no Instagram.
Análise do Mercado e Perspectivas
Por volta do início da tarde desta terça-feira, os investidores retomaram posições no papel, fazendo com que as ações voltassem a negociar em linha com os preços da última sexta-feira, antes do início da polêmica. O movimento indica que o mercado interpretou o episódio como um ruído pontual, sem impacto estrutural nos fundamentos da empresa.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, avaliou que o impacto seria de curto prazo, citando casos anteriores de empresas que enfrentaram exposição política, como Smartfit, Madero, Magazine Luiza e JBS. Caroline Sanchez, analista da Levante Corp, destacou que boicotes pontuais tendem a fazer mais barulho do que efeito real em volume, especialmente para produtos massificados como Havaianas.
Contexto de Valorização Anual
A rápida recuperação ocorre em um ano extremamente positivo para a Alpargatas. Segundo a consultoria Elos Ayta, em 2025, as ações da empresa subiram 113,18% até o pregão de terça-feira, refletindo um desempenho robusto da companhia ao longo do ano. A Havaianas, marca icônica fundada em 1962, continua sendo a principal fonte de receita da Alpargatas e mantém posição de liderança absoluta no setor de sandálias no Brasil.
Até o momento, nem a Havaianas nem a Alpargatas divulgaram posicionamento oficial sobre a polêmica ou sobre a recuperação das ações na Bolsa. A empresa mantém seu foco na expansão global da marca e na diversificação de seu portfólio, que inclui também as marcas Mizuno e Osklen.



