Ex-presidente foi internado nesta quarta-feira no Hospital DF Star e passará por procedimento cirúrgico no dia de Natal
O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou nesta quarta-feira (24) a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde estava preso desde 22 de novembro, e foi transferido para o Hospital DF Star, localizado a menos de três quilômetros da unidade policial. Esta é a primeira vez que Bolsonaro sai da prisão desde que começou a cumprir pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
A cirurgia está agendada para esta quinta-feira (25), feriado de Natal, e tem como objetivo tratar uma hérnia inguinal bilateral — quando o problema atinge os dois lados da região da virilha, além de crises recorrentes de soluço que vêm afetando o ex-presidente.
Autorização judicial e medidas de segurança
A internação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após perícia da Polícia Federal (PF) indicar a necessidade da intervenção. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou favoravelmente ao procedimento.
Durante a transferência, Bolsonaro foi escoltado de forma discreta por agentes da Polícia Federal, com desembarque direto nas garagens do hospital para evitar aglomerações. A segurança inclui vigilância 24 horas por dia, com pelo menos dois policiais federais posicionados na porta do quarto durante toda a internação, além de equipes monitorando as áreas interna e externa da unidade.
O ministro Moraes também proibiu a entrada de computadores, telefones, celulares ou qualquer equipamento eletrônico no quarto, sendo permitidos apenas aparelhos médicos indispensáveis ao atendimento.
Acompanhamento e visitas
Michelle Bolsonaro foi autorizada a ser a acompanhante principal do ex-presidente durante o período de internação. No entanto, Moraes não atendeu ao pedido da defesa para permitir visitas do senador Flávio Bolsonaro e do ex-vereador Carlos Bolsonaro. Qualquer outra visita dependerá de autorização judicial prévia.
Detalhes do procedimento cirúrgico
Os peritos da Polícia Federal confirmaram que o ex-presidente é portador de hérnia inguinal bilateral e necessita da cirurgia, que foi solicitada por médicos particulares de Bolsonaro. O laudo também confirmou quadro de soluços e insônia.
De acordo com o cronograma médico, esta quarta-feira foi dedicada à realização de exames clínicos e laboratoriais. A cirurgia está agendada para a manhã de quinta-feira e deve durar entre três e quatro horas.
A perícia concluiu que o procedimento deve ser realizado “o mais breve possível, haja vista a refratariedade aos tratamentos instituídos, a piora do sono e da alimentação, além de acelerar o risco das complicações do quadro herniário, em decorrência do aumento da pressão intra-abdominal”.
Histórico médico
Esta será a sétima cirurgia de Bolsonaro desde 2018, quando sofreu uma facada durante a campanha presidencial. Todas as intervenções foram motivadas por sequelas desse atentado.
Exames realizados em agosto de 2025 não indicavam a presença das hérnias. Em novembro, médicos identificaram clinicamente uma hérnia em apenas um dos lados, e em dezembro exames de imagem confirmaram que a condição passou a afetar ambos os lados da região inguinal.
O laudo pericial apontou que Bolsonaro apresenta lesão em um nervo do tronco decorrente de cirurgia anterior, o que tem causado os episódios frequentes de soluço. A equipe médica avalia a possibilidade de realizar um bloqueio anestésico do nervo frênico durante o procedimento para controlar essas crises.
Pós-operatório e previsão de alta
A expectativa da equipe médica é de que o ex-presidente permaneça internado por cinco a sete dias, período necessário para analgesia, fisioterapia, prevenção de complicações e observação clínica, considerando o histórico de cirurgias abdominais.
Após a cirurgia, Bolsonaro será submetido a controle rigoroso da dor, com uso de analgesia adequada e monitoramento contínuo. A recuperação incluirá sessões de fisioterapia para mobilização precoce e melhora da função respiratória, além de medidas preventivas contra trombose venosa profunda.



