Cirurgia de Bolsonaro é concluída sem intercorrências; ex-presidente já está no quarto

Procedimento para correção de hérnia inguinal bilateral durou cerca de 3h30 e foi realizado sob anestesia geral no Hospital DF Star, em Brasília

A cirurgia do ex-presidente Jair Bolsonaro foi concluída com sucesso na tarde desta quinta-feira (25), no Hospital DF Star, em Brasília, após cerca de três horas e meia de duração. O procedimento transcorreu sem intercorrências e o paciente já está acordado e foi levado ao quarto, informou o médico-cirurgião Cláudio Birolini em coletiva à imprensa.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro confirmou, por volta das 13h55 em publicação no Instagram, que o procedimento foi finalizado “com sucesso” e “sem intercorrências”. “Agora é aguardar o retorno da anestesia”, escreveu Michelle, que também agradeceu à equipe médica: “Anjos. Obrigada mais uma vez”.

O procedimento cirúrgico

Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de herniorrafia inguinal bilateral, procedimento que começou por volta das 9h15, com previsão inicial de duração de cerca de quatro horas. A hérnia inguinal ocorre quando uma alça do intestino ou tecido abdominal se projeta por um ponto de fraqueza da parede muscular do abdômen, formando uma abertura próxima à virilha.

Segundo o cirurgião Birolini, Bolsonaro apresentava uma hérnia do tipo misto, sendo direta e indireta, que foi corrigida durante o procedimento. A equipe médica optou por uma técnica convencional aberta, considerada mais apropriada ao quadro clínico do ex-presidente, em vez da laparoscopia.

Durante a cirurgia, os médicos realizam o fechamento do “buraco” na parede muscular e reforçam a região com a colocação de uma tela de polipropileno, material sintético biocompatível que se integra aos tecidos do corpo e reduz o risco de recidiva da hérnia.

Autorização judicial e contexto

A cirurgia foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após perícia da Polícia Federal indicar a necessidade da intervenção. Esta é a primeira vez que Bolsonaro deixa a carceragem na Polícia Federal desde que foi preso, em 22 de novembro.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado, permanecendo sob custódia da Polícia Federal em Brasília. Ele foi internado na quarta-feira (24) para exames e preparo pré-operatório, conduzido pela Polícia Federal no trajeto entre a Superintendência da PF e o hospital, acompanhado da esposa, Michelle Bolsonaro.

Durante o período da internação, Bolsonaro é vigiado 24 horas por dia, com manutenção de dois agentes na porta do quarto, além de outras equipes dentro e fora do hospital. A Polícia Federal ficou responsável pela segurança e transporte do ex-presidente, com determinação de que a operação ocorresse de maneira discreta.

Condições pré-operatórias e recuperação

De acordo com os médicos, Bolsonaro realizou exames pré-operatórios, com avaliação cardiológica e de risco cirúrgico, sendo considerado apto para a cirurgia de herniorrafia inguinal bilateral. O procedimento foi realizado sob anestesia geral.

A recuperação de Bolsonaro deve durar de cinco a sete dias, segundo a equipe médica. O cirurgião Birolini explicou que o quarto comum foi considerado suficiente, pois a UTI é indicada apenas para pacientes que demandam monitorização intensiva ou apresentam risco imediato de complicações graves.

Questão dos soluços persistentes

Além da correção da hérnia, a equipe médica avalia realizar um bloqueio anestésico do nervo frênico, procedimento que pode ser indicado para tratar as crises de soluço persistente apresentadas por Bolsonaro nos últimos meses. A necessidade do procedimento de bloqueio anestésico do nervo frênico será avaliada durante a internação, a depender da evolução do pós-operatório e condição clínica.

O nervo frênico é responsável por estimular o diafragma, músculo fundamental para a respiração. O bloqueio teria como objetivo interromper temporariamente a função do diafragma para reduzir os episódios de soluço.

Histórico médico

O quadro de soluços decorre das alterações gastrointestinais relacionadas à facada sofrida em 2018. Esta é a oitava cirurgia a que Bolsonaro se submete desde o atentado ocorrido durante a campanha eleitoral de 2018, quando foi esfaqueado em Juiz de Fora (MG).

Carta ao filho e eleições 2026

Antes de acompanhar o procedimento, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encontrou a imprensa do lado de fora do hospital e leu uma carta na qual o pai confirma a candidatura do filho mais velho à presidência no ano que vem. Na mensagem, Bolsonaro afirma ter enfrentado “duras batalhas, pagando um preço alto com minha saúde e família” e toma “a decisão de indicar o Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República em 2026”.

A cirurgia representa um momento delicado na trajetória do ex-presidente, que concilia questões de saúde decorrentes do atentado de 2018 com o cumprimento de pena por tentativa de golpe, enquanto sua família articula a sucessão política para as eleições presidenciais do próximo ano.

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