A direita e os partidos de oposição no Senado Federal mudaram de estratégia em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e devem votar favoravelmente à matéria. A informação foi apurada pelo diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner.
A mudança representa uma reviravolta na articulação dos grupos políticos, que, até a semana passada, planejavam dificultar a votação da proposta para adiar sua análise até depois do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Segundo Rittner, durante a edição do programa WW desta segunda-feira (12), a votação estava inicialmente prevista para quarta-feira (14). No entanto, a expectativa entre governistas e oposição é de que a análise ocorra efetivamente na quinta-feira (15).
A inclusão da proposta na pauta foi decidida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se comprometeu a levar o texto ao plenário.
Oposição teme desgaste eleitoral
Até a semana passada, a estratégia da direita era obstruir ao máximo a votação, buscando postergar a análise da PEC. Caso a manobra não funcionasse, a alternativa seria aprovar alguma emenda ao texto, obrigando o retorno da matéria à Câmara dos Deputados e dificultando sua eventual promulgação antes do dia 25 de outubro, data do segundo turno das eleições presidenciais.
A articulação tinha como objetivo evitar que uma possível aprovação da proposta representasse um ganho político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a disputa eleitoral.
Entretanto, interlocutores da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, passaram a avaliar que votar contra a proposta poderia provocar um desgaste ainda maior junto ao eleitorado.
A preocupação está relacionada principalmente à repercussão nas redes sociais, onde posicionamentos contrários ao fim da escala 6×1 poderiam ser explorados politicamente e associados à defesa de condições de trabalho menos favoráveis aos trabalhadores.
Durante sua análise, Daniel Rittner destacou a dificuldade de comunicar as divergências sobre o projeto à população, mesmo com argumentos relacionados à manutenção de jornadas flexíveis.
Alcolumbre também mira o comando do Senado
Além do impacto eleitoral, a decisão de pautar a PEC também ocorre em meio às articulações políticas para a sucessão na presidência do Senado.
Na avaliação de Rittner, a iniciativa de Davi Alcolumbre pode representar uma tentativa decisiva de fortalecer sua posição para permanecer no comando da Casa no próximo ano.
A proposta que trata do fim da escala 6×1 segue no centro do debate político nacional, reunindo discussões sobre direitos trabalhistas, organização das jornadas de trabalho e os efeitos da medida sobre trabalhadores e setores da economia.
A expectativa pela votação coloca o tema novamente em evidência no Congresso Nacional, em um momento em que as decisões parlamentares também podem influenciar os rumos da disputa presidencial de 2026.



