Lewandowski sinaliza saída do Ministério da Justiça, mas permanência ainda é incerta

Ministro manifesta desejo de “descansar” após dois anos no cargo, enquanto Lula trabalha para convencê-lo a permanecer

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, manifestou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o desejo de deixar o comando da pasta no início de 2026. Segundo auxiliares, ele teria citado a intenção de “descansar”, e uma eventual saída ocorreria de forma consensual com o chefe do Executivo.

A notícia pegou de surpresa até mesmo integrantes do próprio ministério. Membros da administração pública vinculados ao órgão afirmaram ter sido pegos de surpresa pela informação, e um integrante do segundo escalão declarou: “Esperamos conversar com o ministro e tentar convencê-lo a permanecer, caso isso se confirme”.

Nada está decidido

Apesar das especulações, a assessoria de Lewandowski informou que não há decisão tomada sobre sua permanência ou saída do cargo, e que o ministro deve se reunir com Lula no dia 7 de janeiro para alinhar os próximos passos. Um auxiliar próximo ao ministro afirmou que “existe um desejo de aposentadoria, mas não para agora”.

As informações sobre a possível saída foram reveladas inicialmente pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. De acordo com fontes do governo, a data exata da saída ainda não foi definida, pois não há um nome indicado para assumir o posto, mas a expectativa é que Lewandowski deixe o ministério antes de abril, quando ocorrerá a reforma ministerial que antecede as eleições de outubro.

Lula resiste à ideia

O presidente Lula atua para convencer Lewandowski a permanecer no Ministério da Justiça e Segurança Pública em 2026. Lula afirmou a aliados que não pretende aceitar a saída do titular da Justiça.

A resistência do presidente tem razões estratégicas. Como ministro aposentado do STF, Lewandowski representa uma ponte importante do governo com a corte e outros tribunais superiores. Além disso, sua gestão é fundamental para o avanço de pautas prioritárias do governo.

Desafios e conquistas da gestão

Durante sua gestão, Lewandowski foi responsável pela elaboração do Projeto de Lei Antifacção, retomou a demarcação de terras indígenas, firmou diversos acordos internacionais de combate ao crime e participou da redação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança.

Sob gestão de Lewandowski, o governo tenta avançar no Congresso Nacional com duas pautas prioritárias para a segurança pública: a PEC que coloca o SUSP (Sistema Único de Segurança Pública) na Constituição Federal, que terminou 2025 sem avanço em uma comissão especial da Câmara, e o PL Antifacção, que endurece a punição para uma série de crimes e cria estruturas integradas para enfrentar facções.

Possível divisão do ministério

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Lewandowski defendeu a divisão do ministério entre Justiça e Segurança Pública. Questionado sobre qual pasta assumiria, o ministro respondeu com bom humor, dizendo que preferiria cuidar dos netos.

Essa possibilidade ganhou força recentemente. Durante a última reunião ministerial, Lula informou aos auxiliares que o Ministério da Segurança Pública será recriado em 2026. A decisão foi tomada após conversas com especialistas no Palácio do Planalto. Nos bastidores, auxiliares apostam no nome de Andrei Rodrigues, atual diretor-geral da Polícia Federal, para comandar a nova estrutura.

Busca por um novo perfil

Há, no entorno do presidente da República, grupos que defendem uma mudança no perfil de quem comandará a pasta, principalmente se ela for dividida em um Ministério da Justiça e outro da Segurança Pública. Para esses setores, falta alguém de perfil combativo em posição de destaque no governo para disputar a pauta da segurança junto à opinião pública.

Ao escolher Lewandowski para a pasta, em janeiro de 2024, o presidente optou por alguém de perfil mais discreto. A avaliação, naquele momento, era de que o principal problema a ser resolvido no país era econômico, e que não havia necessidade de um protagonismo do ministro da Justiça. Agora o foco do eleitorado está na segurança pública.

Nomes cotados para sucessão

Entre os nomes especulados para eventual substituição de Lewandowski estão o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Manoel Carlos de Almeida Neto, o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o advogado-geral da União, Jorge Messias.

O caso de Pacheco, porém, parece descartado, já que ele já disse a aliados que não deve assumir nenhum posto no governo, tendo sido preterido por Lula na indicação para uma vaga aberta no STF.

A reunião marcada para 7 de janeiro entre Lewandowski e Lula deve esclarecer os próximos passos do ministro e definir se ele permanecerá à frente da pasta ou se a reforma ministerial de 2026 trará mudanças no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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