O Partido Democrata conquistou uma importante vitória nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), e retomou o controle das duas casas do Congresso norte-americano: a Câmara dos Representantes e o Senado. O resultado representa uma derrota expressiva para o presidente Donald Trump, que enfrentará uma oposição fortalecida na segunda metade de seu segundo mandato.
Na disputa pelo Senado, os democratas conseguiram derrotar candidatos republicanos em estados como Texas, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Ohio, Minnesota, Iowa e Kansas. Além disso, garantiram a reeleição de senadores em estados como Geórgia, Virgínia, Delaware, Nova Jersey, Rhode Island, Massachusetts, New Hampshire, Colorado, Illinois, Novo México e Oregon.
Com os resultados, considerando também os parlamentares que ainda cumprem seus mandatos, os democratas chegaram a 52 cadeiras, uma acima da maioria necessária para controlar a Casa. A legenda ainda mantém chances de conquistar uma vaga no Alasca, o que poderia ampliar sua bancada para 55 senadores.
Na Câmara dos Representantes, o avanço democrata também foi significativo. Até o início da manhã desta quarta-feira (4), o partido havia garantido 228 cadeiras, contra 139 dos republicanos, segundo os números parciais apresentados na apuração.
Os democratas já haviam conquistado dez assentos que estavam sob controle republicano, sete a mais do que o necessário para alcançar a maioria. Com a continuidade da contagem dos votos, especialmente na Califórnia e em outros estados da costa oeste, a expectativa era de ampliação da vantagem.
Uma projeção divulgada pela rede de televisão NBC estimava que os democratas poderiam terminar a disputa com 255 deputados, contra 180 republicanos.
Vitórias históricas nas eleições para governador
Além da conquista do Congresso, os democratas obtiveram vitórias de grande significado político e histórico nas eleições estaduais para governador.
No Texas, Gina Hinojosa foi eleita e se tornará a primeira mulher latina a governar o estado. Na Geórgia, Keisha Bottoms conquistou uma vitória histórica e será a primeira mulher negra a assumir o governo estadual.
Já em New Hampshire, Chris Pappas foi eleito, tornando-se o primeiro governador abertamente gay da história dos Estados Unidos.
As três vitórias representam importantes avanços para o Partido Democrata e reforçam o simbolismo do resultado eleitoral em diferentes regiões do país.
Trump minimiza derrota e diz que não se arrepende de decisões
Diante do avanço democrata, Donald Trump afirmou estar disposto a aceitar os resultados das eleições e trabalhar com a oposição durante a segunda metade de seu mandato.
Em entrevista por telefone ao jornal The New York Times, na noite de terça-feira (3), o presidente declarou que espera construir entendimentos com os democratas.
“Estamos, sabe, ansiosos para trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a um entendimento”, afirmou.
Trump, entretanto, procurou minimizar o impacto da derrota republicana e atribuiu parte do resultado ao fato de não estar pessoalmente disputando uma eleição.
O presidente também voltou a defender sua decisão de entrar em guerra contra o Irã, classificando a medida como uma “decisão muito sensata”.
Questionado sobre o apoio a candidatos republicanos derrotados, como Darline Graham, na Carolina do Sul, e Ken Paxton, procurador-geral do Texas, Trump afirmou que não tinha arrependimentos.
O presidente também rejeitou críticas à condução de seu segundo mandato e classificou os dois primeiros anos de governo como um período de grande sucesso.
“Considero este o período de dois anos mais bem-sucedido na história de qualquer presidente”, declarou.
Congresso sob novo comando
A retomada da Câmara e do Senado pelos democratas representa uma mudança importante no cenário político norte-americano. Com o controle das duas casas legislativas, o partido terá maior capacidade de influenciar a agenda nacional, conduzir investigações, negociar projetos e impor obstáculos às iniciativas do governo Trump.
O resultado também funciona como um sinal de alerta para os republicanos e pode influenciar diretamente os próximos movimentos da política norte-americana, especialmente na preparação para as eleições presidenciais de 2028.
A derrota amplia a pressão sobre Trump, que terá de administrar um Congresso com maioria adversária durante a segunda metade de seu segundo mandato.



