Mulher dá à luz em Fernando de Noronha, onde partos são evitados há 22 anos

Um parto de emergência realizado na tarde deste domingo (26), no Hospital São Lucas, em Fernando de Noronha, interrompeu um longo período sem nascimentos programados no arquipélago. Desde 2004, gestantes residentes na ilha são encaminhadas ao Recife antes do parto, devido à ausência de maternidade e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal na unidade de saúde local.

De acordo com a Superintendência de Saúde de Fernando de Noronha, a paciente procurou atendimento médico apresentando fortes dores lombares irradiando para a região pélvica. Durante a avaliação inicial, ela negou a possibilidade de estar grávida. No entanto, diante da suspeita clínica da equipe médica, foi realizado um exame de Beta HCG, que confirmou uma gestação de 41 semanas.

Após a confirmação, os profissionais constataram que a mulher já estava em trabalho de parto em estágio avançado, impossibilitando sua transferência para uma maternidade na capital pernambucana. Diante da situação, a equipe multiprofissional do Hospital São Lucas realizou o parto de emergência seguindo todos os protocolos assistenciais.

Segundo a administração da ilha, tanto a mãe quanto o recém-nascido passam bem e permanecem sem intercorrências clínicas. A mulher reside temporariamente em Fernando de Noronha, onde trabalha em uma pousada.

Como medida preventiva, o Grupamento Tático Aéreo (GTA) foi acionado e permaneceu de sobreaviso para realizar uma eventual transferência da mãe e do bebê ao Recife, caso surgisse qualquer complicação. O plano de voo previa uma aeronave decolando de Fortaleza, passando por Fernando de Noronha e seguindo até a capital pernambucana, com desembarque no Hangar da Weston.

Partos são evitados na ilha desde 2004

A administração de Fernando de Noronha mantém, desde 2004, um protocolo para que gestantes deixem o arquipélago antes do nascimento dos filhos. A medida busca garantir maior segurança para mães e bebês, já que o Hospital São Lucas não possui maternidade nem UTI neonatal, estruturas consideradas essenciais para atender possíveis complicações obstétricas e neonatais.

Pelas regras adotadas, as gestantes são encaminhadas para maternidades do Recife ainda durante a gravidez, com as despesas custeadas pela administração distrital. A política, no entanto, já gerou debates entre moradores e autoridades ao longo dos últimos anos.

O último parto registrado em Fernando de Noronha havia ocorrido em outubro de 2021, também em caráter emergencial, quando uma turista de Maceió entrou em trabalho de parto após chegar à ilha com 32 semanas de gestação. Antes disso, o arquipélago havia registrado um nascimento em 2018, encerrando um intervalo de 12 anos sem partos, após uma moradora que desconhecia a gravidez dar à luz em casa.

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