Executivo chileno é detido por racismo em voo no Brasil: ‘cheiro de negro, de brasileiro’

Um executivo chileno foi detido na última sexta-feira (15) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após ser acusado de racismo e homofobia durante um voo da Latam Airlines que seguia de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha. O caso aconteceu no último dia 10 de maio, mas a prisão ocorreu quase uma semana depois, quando o empresário retornava ao Brasil após uma viagem de trabalho.

O acusado foi identificado como Germán Naranjo Maldini, gerente da empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha Landes. Segundo relatos da tripulação e passageiros, o executivo protagonizou uma série de ofensas discriminatórias dentro da aeronave, incluindo ataques racistas e homofóbicos contra funcionários da companhia aérea.

De acordo com testemunhas, a confusão começou quando Maldini tentou abrir a porta do avião e foi impedido pelos comissários. A partir daí, ele passou a insultar integrantes da tripulação. Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, o empresário afirma que “ser gay é um problema” e direciona comentários ofensivos a um funcionário da companhia.

Na sequência, as agressões verbais ganharam tom ainda mais grave. O chileno fez declarações racistas ao mencionar “cheiro de negro brasileiro” e “cheiro de brasileiro”. Em outro momento, chamou uma pessoa de “negro, macaco” e chegou a imitar sons de macaco diante dos passageiros.

Uma das comissárias tentou conter a situação e informou que ele seria desembarcado por estar “incomodando e agredindo” os demais ocupantes do voo. O comportamento gerou revolta entre passageiros e tripulantes.

Segundo o jornal argentino La Nación, a vítima registrou denúncia junto à Polícia Federal, o que resultou na abertura de uma investigação. A Justiça Federal determinou a prisão preventiva de Maldini, que foi detido em Guarulhos ao retornar ao país. Após audiência de custódia, ele foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, onde permanece à disposição da Justiça.

Em nota, a Latam informou que condena “energicamente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia”. A companhia aérea também afirmou que está oferecendo apoio psicológico e assistência jurídica ao funcionário vítima das agressões.

Após a repercussão do caso, a empresa Landes anunciou o afastamento preventivo do executivo. Em comunicado, a companhia afirmou repudiar “de maneira categórica e sem nuances qualquer ato de discriminação, racismo ou homofobia” e destacou que esse tipo de comportamento é incompatível com os valores da empresa.

O episódio ocorre em meio ao aumento de casos de indisciplina em voos no Brasil. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), houve crescimento de 19% nas ocorrências registradas no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado.

Além disso, novas regras que entram em vigor em setembro preveem multas de até R$ 17,5 mil para passageiros indisciplinados, além da possibilidade de banimento dos aeroportos por até 12 meses, dependendo da gravidade da infração.

Desde 2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao crime de racismo no Brasil, tornando-se imprescritível e inafiançável na esfera policial. A legislação prevê penas de dois a cinco anos de prisão, além de multa. O Supremo Tribunal Federal (STF) também decidiu que ofensas homofóbicas podem ser punidas com prisão.

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