Paulo Câmara prepara defesa de legado e pode pedir direito de resposta durante disputa eleitoral em Pernambuco

O ex-governador de Pernambuco e atual presidente do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara, decidiu acompanhar mais de perto o debate eleitoral em torno da disputa pelo Governo de Pernambuco. Embora mantenha uma postura predominantemente técnica desde que deixou o Palácio do Campo das Princesas, Câmara já sinalizou que poderá recorrer ao direito de resposta caso sua gestão seja citada com informações que considere inverídicas.

De acordo com informações de bastidores, o presidente do BNB teria orientado seu corpo jurídico a acompanhar as declarações feitas durante o processo eleitoral e avaliar eventuais medidas sempre que houver referências à sua administração que, segundo sua avaliação, não correspondam aos dados oficiais.

A movimentação ocorre em meio a declarações da governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição, sobre diferentes áreas da administração estadual, em abordagens que estabelecem comparações com o período em que Paulo Câmara esteve à frente do Estado.

Diante desse cenário, o ex-governador determinou um levantamento sobre a situação encontrada ao assumir o governo, em 2015, após a gestão de João Lyra Neto, e o quadro deixado ao final de seus dois mandatos, em 2022, quando Raquel Lyra assumiu o comando do Estado.

Situação fiscal é um dos principais pontos

Entre os dados destacados por Paulo Câmara está a situação fiscal de Pernambuco ao final de sua gestão. Segundo o levantamento apresentado a interlocutores, o Estado encerrou o período classificado como Capag B pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).

A Capacidade de Pagamento (Capag) é um indicador utilizado pelo Tesouro Nacional para avaliar a situação fiscal dos estados e municípios e sua capacidade de honrar compromissos financeiros. A classificação também está relacionada à possibilidade de contratação de determinadas operações de crédito.

Outro ponto ressaltado pelo ex-governador é a aprovação das contas referentes aos oito anos de sua administração. Segundo os dados apresentados, as contas foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Ainda de acordo com o levantamento, Paulo Câmara encerrou o mandato com um superávit superior a R$ 4,25 bilhões.

Segurança pública também entra no levantamento

A área de Segurança Pública aparece entre os setores que vêm sendo analisados pelo ex-governador. O entendimento no entorno de Paulo Câmara é de que ações realizadas durante suas duas gestões precisam ser consideradas no debate atual sobre os resultados da área.

Entre os exemplos citados está a inauguração, em novembro de 2017, do Batalhão Integrado Especializado de Policiamento (Biesp), em Caruaru. Na época, Raquel Lyra ocupava o cargo de prefeita do município.

No ano seguinte, em 2018, também foi inaugurado o 2º Biesp, em Petrolina, como parte da estrutura criada durante a administração de Paulo Câmara para reforçar o policiamento especializado no Estado.

O levantamento preparado pelo ex-governador, no entanto, não se restringe à segurança. A análise também reúne informações sobre investimentos e ações realizadas nas áreas de Saúde e Educação, além de outros setores da administração estadual.

Ex-governador evita embate político direto

Desde que assumiu a presidência do Banco do Nordeste, Paulo Câmara tem mantido uma postura distante das disputas político-partidárias e priorizado a atuação institucional à frente da instituição financeira.

Apesar disso, diante do avanço da campanha eleitoral e das referências ao seu período no governo estadual, o ex-governador sinaliza que não pretende deixar sem resposta afirmações que considere incorretas.

A estratégia, segundo interlocutores, não seria a de entrar diretamente no debate político, mas utilizar os mecanismos jurídicos disponíveis para apresentar dados e contestar eventuais informações consideradas inverídicas sobre sua administração.

O movimento coloca o legado dos oito anos de Paulo Câmara novamente no centro do debate eleitoral em Pernambuco, especialmente nas discussões relacionadas às contas públicas, segurança, saúde e educação.

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