Com a renúncia do prefeito João Campos (PSB) para disputar o Governo de Pernambuco, o Recife passa a ser comandado pelo então vice, Victor Marques (PCdoB). A posse oficial do novo gestor está prevista para a próxima segunda-feira (6), no período da tarde.
Desde o anúncio da pré-candidatura de João, em 20 de março, os dois cumpriram juntos uma intensa agenda de inaugurações e entregas de obras pela capital pernambucana. O clima, marcado por despedidas e emoção, teve como um dos momentos mais simbólicos a inauguração da segunda etapa do Parque da Tamarineira, no último dia 26, quando João Campos se emocionou e destacou a confiança no sucessor. “Recife foi muito generoso comigo, o que me dá tranquilidade é saber que o Victor vai fazer muito mais do que eu”, afirmou.
Aos 31 anos, Victor Marques é natural do Recife e casado com a médica Eduarda Neiva desde novembro de 2025. Sem filhos, ele carrega uma trajetória política familiar: é filho do ex-vereador José Saturnino Alves, conhecido como Zezinho de Sata, que atuou em São José do Belmonte, e irmão do atual prefeito do município, Vinícius Marques.
Apesar de ter nascido na capital, Victor passou boa parte da infância no Sertão, para onde se mudou ainda pequeno. Retornou ao Recife em 2010, onde concluiu o ensino médio e iniciou sua formação acadêmica em engenharia. Foi na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que conheceu João Campos, relação que se fortaleceu ao longo dos anos e se consolidou na gestão pública.
Posteriormente, ingressou no curso de engenharia civil na Escola Politécnica da Universidade de Pernambuco (UPE), embora não tenha concluído a graduação. Diferente de muitos nomes da política tradicional, Victor não teve uma trajetória marcada por lideranças estudantis ou atuação em movimentos acadêmicos. Segundo ele próprio, as constantes mudanças ao longo da vida dificultaram a criação de vínculos mais duradouros nesses espaços.
A relação de confiança com João Campos foi construída ao longo do tempo. Em declaração recente, o ex-prefeito relembrou o início da amizade ainda na universidade e destacou as qualidades do agora gestor municipal. “De imediato se criou muita empatia. Quando trabalhamos juntos, vi todo o potencial que ele tinha, altamente preparado, bom de trabalho e de política, sabe ouvir as pessoas”, afirmou.
Nos bastidores, Victor era conhecido por sua atuação técnica e perfil discreto. Antes de se tornar vice-prefeito, atuou como chefe de gabinete na primeira gestão de João Campos, função que o aproximou da administração municipal e de projetos estratégicos. Colegas de trabalho apontam que sua escolha como vice, em 2024, causou surpresa inicial devido ao seu perfil mais reservado. “Ele nunca foi político de fato, estava sempre no gabinete. Mas entrou com vontade de aprender”, revelou uma fonte.
Professores da época universitária também destacam seu comportamento. O docente Alexandre Gusmão, da Escola Politécnica, afirmou que o reencontro com Victor ocorreu anos depois, já na gestão municipal, e ressaltou características como gentileza e atenção.
Em suas redes sociais, Victor ainda se define prioritariamente como “engenheiro”, evidenciando um perfil mais técnico. Em entrevistas e discursos, demonstra maior familiaridade com temas estruturais e administrativos do que com o embate político tradicional.
Agora à frente da Prefeitura do Recife, Victor Marques assume o desafio de dar continuidade à gestão iniciada por João Campos, ao mesmo tempo em que precisará imprimir seu próprio estilo em um cenário político cada vez mais dinâmico com a aproximação das eleições estaduais.



