Do Portal O Tempo
BRASÍLIA – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2/9) que os indícios revelados na crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro exigem providências institucionais e anunciou que adotará “medidas cabíveis e necessárias” nos próximos dias.
Sem citar nominalmente os envolvidos, Fachin classificou o momento como de “especial gravidade” e afirmou que a autoridade do cargo não garante privilégios.
“Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza”, disse Fachin, no dia seguinte à revelação do relatório da Polícia Federal (PF) que encontrou no celular de Vorcaro mensagens que expuseram sua relação com Moraes.
O material integra as investigações sobre o Banco Master, liquidado após apurações sobre um esquema bilionário de fraudes financeiras. A divulgação aprofundou uma crise interna na Corte e abriu a discussão sobre quais providências serão tomadas diante dos novos elementos.
A declaração do presidente do Supremo foi feita na abertura das XVII Jornadas Ítalo-Espanholo-Brasileiras de Direito Constitucional, realizada na Corte.
Ainda segundo Fachin, “a elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades”. O ministro informou que ainda analisa os fatos antes de decidir quais medidas adotará. “Esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias”, afirmou.
O ministro do STF André Mendonça, relator do caso Master e responsável pela retirada do sigilo do relatório da PF que revelou a relação de Moraes com Vorcaro, confirmou ter recebido Vorcaro em março de 2025, antes de assumir a relatoria. O encontro foi diculgado pelo site ICL Notícias nesta quarta-feira.
Segundo o gabinete, o encontro ocorreu uma única vez, Mendonça “se limitou a ouvi-lo” e posteriormente adotou posição contrária ao interesse apresentado pelo banqueiro.
Edson Fachin deve voltar a falar na abertura da sessão plenária do STF, prevista para as 14h desta quarta, onde todos os ministros são aguardados em plenário.



