Do UOL
Um gesto do árbitro australiano chamou a atenção na apresentação da equipe de arbitragem do jogo entre Alemanha e Curaçao, pela primeira rodada da Copa do Mundo.
Supervisor do VAR, Shaun Evans movimentou a mão direita fazendo um sinal de “OK”.
O gesto tem sido usado nos últimos anos como um símbolo de supremacistas brancos.
O fato foi notado por diversos perfis nas redes sociais, que já apontaram estranheza com a sinalização do árbitro australiano.
Procurada sobre o assunto, a Fifa ainda não se manifestou.
Curiosamente, o protocolo de posicionamento na cabine do VAR até já mudou a partir do jogo entre Holanda e Japão, subsequente ao Alemanha x Curaçao. Os árbitros já foram filmados olhando para os monitores do VAR, estáticos, sem qualquer movimentação. A mesma posição parada, sem olhar para a câmera, foi repetida no Costa do Marfim x Equador.
O símbolo de “OK” pode representar “poder branco”. Para grupos de extrema direita, os três dedos esticados simbolizam a letra “w”, uma referência à palavra em inglês “white” (branco). Já o círculo formado representa a letra “p”, para a palavra “power” (poder).
Segundo a Liga Antidifamação (ADL, na sigla em inglês), órgão americano que monitora crimes de ódio, a origem da nova conotação surgiu a partir de uma campanha de boatos entre membros do fórum 4chan. Em fevereiro de 2017, um usuário anônimo do fórum anunciou a “Operação O-KKK”. Ele pedia a outros membros para inundar as redes sociais, alegando que o sinal de “OK” era um símbolo da supremacia branca americana.
O símbolo se tornou viral em 2017. De acordo com a ADL, outros membros teriam criado contas falsas de e-mail e perfis inverídicos nas redes sociais, bombardeando influenciadores e jornalistas com a mensagem. A “trolagem”, no entanto, ganhou proporção em abril de 2017, quando pessoas da extrema-direita americana começaram a usar deliberadamente o gesto, principalmente ao posar para fotos nas redes sociais.
“Dog whistle”. Desde então, pesquisadores que estudam símbolos da extrema direita alegam que o gesto é utilizado como uma mensagem codificada, um “dog whistle” (apito para cães), em referência ao instrumento que não é ouvido por humanos, mas pode ser captado pelos cachorros. É uma estratégia de comunicação em que pessoas em geral podem interpretar um gesto com significados diferentes, mas um grupo específico compreende a mensagem “secreta”.
Símbolo é usado pelo movimento alt-right, um segmento alternativo do movimento de supremacia branca americano. O movimento tem uma ideologia racista ou antissemita que afirma acreditar que a direita tradicional não defende adequadamente os interesses dos brancos.
A Liga Antidifamação, que identifica o gesto como símbolos de ódio, faz a ressalva de que seu uso ainda indica aprovação ou que algo está bem. Portanto, “deve-se tomar um cuidado especial para não tirar conclusões precipitadas sobre a intenção de alguém que usou o gesto”, diz um comunicado da ADL.



