Uma grande avalanche registrada na quarta-feira (26) no norte do Nepal, próximo à fronteira com a China, deixou pelo menos 538 mortos, segundo atualização divulgada nesta sexta-feira (28) pelas autoridades nepalesas de gestão de situações de emergência.
Na região autônoma chinesa do Tibete, as autoridades confirmaram outras cinco mortes. Com isso, o balanço provisório do desastre chega a 543 mortos, enquanto mais de 1.400 pessoas permanecem desaparecidas.
A tragédia atingiu áreas do Nepal e do Tibete após o colapso parcial de uma geleira provocar uma gigantesca corrente de água gelada e sedimentos. De acordo com o Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS), o fenômeno avançou com força semelhante a um tsunami, destruindo casas, derrubando pontes e arrastando veículos.
Equipes de resgate são retiradas de áreas de risco
Nesta sexta-feira, as autoridades nepalesas determinaram que as equipes de resgate deixassem áreas consideradas perigosas e procurassem abrigo. A medida foi tomada após o rompimento de um lago formado pelo acúmulo de detritos no lado chinês da fronteira, aumentando o risco de novas enxurradas.
A polícia do Nepal pediu aos socorristas que “se coloquem imediatamente em segurança” diante da possibilidade de novos fluxos de água e lama.
As equipes de emergência já recuperaram centenas de corpos. Entre os desaparecidos estão turistas que visitavam a região do Himalaia e dezenas de peregrinos hindus que seguiam em direção ao sagrado monte Kailash, no Tibete.
Mudanças climáticas aumentam riscos
O desastre também chama atenção para os impactos do derretimento acelerado das geleiras. Segundo especialistas, o aumento das temperaturas provocado pelas mudanças climáticas contribui para a redução das massas de gelo em diversas partes do mundo, elevando os riscos de desastres associados ao colapso de geleiras e lagos glaciais.
A enorme quantidade de gelo, água e lama provocada pelo deslizamento também formou grandes acúmulos de água na região. Um desses lagos se rompeu nesta sexta-feira no Tibete, levando as autoridades nepalesas a alertarem para o risco enfrentado pelas equipes que atuam nas operações.
China acompanha situação e oferece ajuda ao Nepal
A imprensa estatal chinesa informou que o risco de inundações associado a um dos lagos estava “diminuindo gradualmente”, depois que o nível da água caiu quase 10 metros desde quinta-feira.
Segundo as agências chinesas, as operações de resgate continuam de forma ordenada. Ainda não está claro, porém, se o lago citado pela imprensa chinesa é o mesmo mencionado pelas autoridades do Nepal.
O presidente da China, Xi Jinping, comandou uma reunião com funcionários de alto escalão para tratar das operações de resgate e ofereceu ajuda ao Nepal.
Durante o encontro, integrantes do Politburo do Partido Comunista Chinês destacaram que ainda existem riscos relacionados às geleiras, aos lagos glaciais e a outros desastres geológicos na região, além das dificuldades enfrentadas pelas equipes de emergência.
Com informações da AFP.



